Caso Ho Chio Meng: Motorista levava hospedeiras aéreas a hotel alugado pelo Ministério Público

 

O motorista Mak Hak Neng revelou que levava amigas de Ho Chio Meng para quartos de hotéis alugados em Zhuhai pelo Ministério Público. O ex-Procurador era o único a ter a chave dos quartos em questão, onde por vezes ficava a dormir.

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João Santos Filipe

O motorista de Ho Chio Meng, Mak Hak Neng, admitiu que levava, a pedido do ex-Procurador, mulheres que eram, ou tinham sido, hospedeiras de voo para quartos alugados pelo Ministério Público num hotel de Zhuhai, na Rua dos Namorados. Os hotéis foram alugados pelo MP, em nome de Mak Hak Neng num total de 76 vezes, 36 das quais em Macau. O motorista fazia depois o check-in e entregava as chaves a Ho Chio Meng.

Na sessão de ontem do julgamento do ex-Procurador, o motorista teve de explicar igualmente porque tinha na sua agenda telefónica vários contactos de arguidos e de amigas de Ho Chio Meng. Mak Hak Neng confessou que a agenda de papel era regularmente usada pelo ex-Procurador: “Algumas dessas hospedeiras aéreas são minhas amigas, outras do Sr. Ho. Eu tinha esses contactos porque ele me pediu para transportá-las. Como eu não as conhecia pela cara, tinha de ter o número para saber quem eram no aeroporto”, disse Mak Hak Neng. “Acho que sim, que as transportava para o hotel. Mas já passou tanto tempo que não sei que senhoras transportei”, complementou.

Se no caso de Zhuhai o motorista de 54 anos admitiu ter levado as hospedeiras para os quartos de hotéis dos quais só Ho Chio Meng tinha a chave, o mesmo não se passou em Macau. A situação era semelhante à de Zhuhai, a reserva era feita em nome do motorista, mas depois as chaves iam parar a Ho Chio Meng:  “Não sei se em Ministério Público pagou a conta do hotel destas senhoras. A reserva estava em meu nome e eu fazia o check-in para depois dar as chaves a Ho Chio Meng. Mas no que diz respeito ao hotel Landmark nunca levei lá nenhuma senhora”, explicou.

 

Contas pagas com cartão de co-arguido

 

Num total de 36 reservas feitas em seu nome no Landmark, o motorista disse em várias ocasiões ter levado convidados oficiais do MP para passarem a noite nos referidos hotéis.

Sobre uma reserva no hotel Landmark, entre 10 e 11 de Agosto de 2011, o motorista foi confrontado com uma assinatura num recibo por comida consumida no quarto. Segundo Mak Hak Neng a assinatura é de Ho Chio Meng, sendo que no mesmo papel está ainda o carácter  “Mou”, alegadamente de uma mulher.

Sobre o recibo, o Ministério Público diz que o cartão de crédito com o qual foi paga a conta – de sopa de fitas com carne de vaca e um prato com frutas –  pertence a Mak Im Tai, um dos co-arguidos no processo conexo.

 

Mak Hak Neng, que aquando uma rusga do CCAC à sua casa viu cadernetas de contas bancárias no Interior da China dos co-arguidos Lei Kuan Pun e Mak Im Tai apreendidas, confessou também que tinha tentado recuperar essas provas, depois um telefonema de Ho Chio Meng.

Contudo, o motorista só admitiu o facto depois de ter sido reproduzida três vezes a mesma escuta telefónica de uma chamada entre ele e Ho Chio Meng. Primeiro, Mak Hak Neng negou que fosse o seu telemóvel ou a sua voz, mas confessou, quando foi avisado pelo juiz Sam Hou Fai que se fosse apanhado a mentir seria responsabilizado criminalmente.

 

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