Taiwan prepara-se para eventual investida militar de Pequim

As autoridades da Formosa promovem até ao final do dia de hoje uma série de manobras militares que simulam um ataque da República Popular da China. O exercício, que é organizado anualmente, decorre este ano num clima de tensão, dado o deteriorar das relações entre Pequim e Taipé.

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O exército de Taiwan iniciou esta quarta-feira dois dias de manobras que simulam um ataque da República Popular da China, numa altura em que as autoridades da Formosa procuram tranquilizar a população quando as relações bilaterais mostram sinais de degradação.

Tanques, helicópteros e artilharia foram mobilizados para estes exercícios, que têm um carácter anual e que decorrem no centro da ilha:

“O exército tomou medidas para gerir a situação no estreito de Taiwan e no mar da China do Sul”, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, Chen Chung-chi. “A população pode ficar descansada”, garante o responsável.

As manobras que ontem tiveram o seu início simulam uma situação em que navios chineses ultrapassam a linha mediana do estreito que separa a ilha da China continental. Taiwan é politicamente independente do resto da China desde o fim da guerra civil de 1949. O território governa-se sozinho, mas não é reconhecido pela Organização das Nações Unidas e apenas mantém relações diplomáticas com 21 nações, maioritariamente na América Central e na bacia do Pacífico. A República Popular da China, recorde-se, não aceita que um país, com o qual mantenha relações diplomáticas, reconheça oficialmente Taiwan, para reforçar o princípio de “uma só China”.

Estas manobras militares acontecem uma semana depois da passagem pelo estreito de um porta-aviões chinês, interpretada como uma demonstração de força de Pequim, num contexto de tensões diplomáticas e pouco depois da deslocação aos Estados Unidos da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista, independentista e contrário a Pequim.

Numa entrevista ao diário Wall Street Journal, concedida na semana passada, o Presidente eleito dos Estados Unidos da América, Donald Trump, indicou estar pronto a questionar a unidade da China, defendida por Pequim. “Está tudo sobre a mesa, incluindo a China única”.

Em meados de Dezembro, Trump tinha já ameaçado não reconhecer aquele princípio, até aqui respeitado pelos Estados Unidos desde 1979, quando Washington cortou as relações oficiais com Taipé. No início de Dezembro, Donald Trump ignorou quatro décadas de política norte-americana e falou ao telefone com Tsai, apesar de a China proibir qualquer contacto oficial entre os seus parceiros estrangeiros e os dirigentes de Taiwan.

A República Popular da China nunca renunciou à possibilidade de recorrer à força para restabelecer a sua soberania na ilha.

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