Mulheres em marcha, para propagar mensagem contra o ódio e o medo

A Women´s March invade no próximo sábado as ruas de Washington DC, em protesto contra as posições assumidas durante a campanha por Donald Trump, numa iniciativa em defesa das mulheres, dos emigrantes, das minorias étnicas e sexuais, dos socialmente desfavorecidos e do ambiente. Macau, a par com centenas de outras cidades no mundo, junta-se à iniciativa e acolhe uma marcha com início às 12 horas e lugar marcado para a área frente ao Venetian.

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Sílvia Gonçalves
silviagoncalves.pontofinal@gmail.com

O primeiro dia em funções do novo presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, no próximo sábado, será marcado por uma manifestação pacífica e aberta a todos, designada por “Women’s March” (Marcha das Mulheres) que, além de Washington DC, está a ser organizada um pouco por todo o mundo. Macau não é excepção. O PONTO FINAL falou com uma das organizadoras do evento no território, que descreve a iniciativa como uma afirmação dos direitos humanos e como uma forma de transmitir uma mensagem contra o ódio e o medo. Uma participante, também contactada por este jornal, fala de uma marcha em solidariedade com os direitos das mulheres e das minorias em geral, tudo o que considera ter sido “ofendido” com a eleição de Trump.
“Sentimo-nos motivados a ser sempre participantes activos na nossa sociedade, onde quer que estejamos, e não ser complacentes, para ajudar a inspirar a mudança. Nos Estados Unidos, temos o poder de guiar um Governo que muitas vezes é um exemplo para o mundo progressista, e para as mulheres em todos os lugares. Se tomarmos as nossas políticas sobre os direitos das mulheres, direitos LGBTQIA, direitos das minorias, direitos ambientais… vamos definir o mundo inteiro através do exemplo”, começa por enquadrar, em resposta enviada por email, uma das organizadoras do evento agendado para o próximo sábado, que preferiu manter o anonimato.
A organizadora explica a escolha da data e do local da marcha, que em Macau terá lugar na strip do Cotai, frente ao Venetian: “A 21 de Janeiro será o primeiro dia em que ele vai assumir funções enquanto presidente dos Estados Unidos, e a sua presidência vai afectar não só os americanos, mas também os cidadãos do mundo. A marcha terá lugar à volta da strip do Cotai, predominantemente em frente ao Venetian e ao Sands Cotai, uma vez que Sheldon Adelson foi quem mais contribuiu para a campanha de Trump, doando cerca de 40 milhões de dólares americanos”, explica.
A organizadora dá conta da dimensão global da iniciativa, e da mensagem que esta acarreta: “Enquanto a maior marcha, com cerca de um milhão de participantes, será realizada em Washington DC, quase 400 marchas serão realizadas em todo o mundo em solidariedade. Vamos enviar a mensagem de que o amor é mais forte de que o ódio e o medo, de que somos mais fortes juntos”. A organizadora, que diz ser natural dos Estados Unidos, mas ser também cidadã do Canadá, salienta ainda que “esta marcha não é apenas sobre os direitos das mulheres, é sobre as pessoas terem direitos básicos enquanto seres humanos e acesso a um ambiente limpo”.
Presente na iniciativa em Macau estará também Christina Kimont, que teve conhecimento do evento através de uma amiga: “É uma marcha em solidariedade com os direitos das mulheres, mas também pelos direitos da comunidade LGBTQIA, e pelos direitos das minorias em geral. Tudo o que tem sido ofendido pela eleição de Trump”, defende. A canadiana, de 37 anos e há dois anos a residir em Macau, acredita que a chegada do candidato republicano à Casa Branca representa uma séria ameaça para as minorias: “Como é evidente nas coisas que ele próprio disse, e tendo em conta a sua cerimónia de inauguração, as pessoas que ele escolheu para o rodear nos diferentes gabinetes”, defende.
Christina acredita que a mudança de rumo na política dos Estados Unidos terá efeito do outro lado da fronteira, no Canadá onde nasceu: “Há repercussões. Os Estados Unidos e o Canadá são parceiros comerciais, e muitos projectos respeitantes ao ambiente e aos recursos naturais atravessam a fronteira. Nós somos culturalmente muito semelhantes, e há muitas questões relacionadas com comércio, manufactura e ambiente que partilhamos”.
Para lá da marcha que chegará às ruas, Christina assegura que continuará a ser uma voz activa nas redes sociais: “Porque são as únicas formas tangíveis que tenho de participar no processo político a partir do estrangeiro. O meu marido é americano, os meus filhos são meio-americanos, portanto o que acontece naquele país interessa-nos muito também enquanto família, não apenas pelo agora, mas pelo futuro”, salienta.

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