Morreu Zhou Youguang, o pai do “pinyin”

 

O linguista, que facilitou o ensino e a disseminação do mandarim, morreu no sábado com a provecta idade de 111 anos. Antes da introdução do “pinyin”, 85 por cento da população chinesa era analfabeta. No dias que correm, a taxa de alfabetização na República Popular da China é quase de cem por cento.

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O linguista chinês Zhou Youguang, considerado o pai do “pinyin” –  a forma romanizada do mandarim mais utilizada actualmente – morreu no sábado em Pequim, um dia depois de fazer 111 anos, informou o portal da Internet Sina.com.

Nascido na China, na dinastia Qing, a 13 de janeiro de 1906, Zhou é o responsável pelo sistema que facilita o estudo intricado do mandarim tanto para as crianças como para os estudantes estrangeiros e cuja existência foi vital para que os milhares de caracteres do mandarim pudessem ser introduzidos facilmente em computadores e telemóveis.

O perito licenciou-se em Economia na Universidade de Saint John de Xangai nos anos 20 do século XX e só depois se interessou pelos estudos linguísticos.

Zhou Youguang viveu no Japão e nos Estados Unidos da Américca e regressou à China, em 1949, quando se fundou a República Popular e Mao Zedong confiou a Zhou a liderança de uma comissão para reformar o idioma e o tornar mais acessível à população para reduzir o analfabetismo.

O linguista passou três anos a desenvolver o sistema “pinyin”, que foi publicado em 1955 como um complemento de ajuda para o estudo dos caracteres chineses. Apesar de não ter estatuto de escrita oficial numa China onde se considera que os caracteres chineses são património cultural insubstituível, o “pinyin” com alfabeto latino é muito habitual na vida diária e pode ver-se em lugares como os mapas do metro, sinais de trânsito ou manuais escolares para crianças.

Antes do “pinyin”, cerca de 85 por cento da população chinesa era analfabeta, mas a reforma do idioma contribuiu, juntamente com as políticas educativas, para que na actualidade praticamente toda a população do país saiba ler e escrever.

A partir da década de 1980, Zhou trabalhou em áreas como a tradução da Enciclopédia Britânica para mandarim e publicou vários livros sobre o idioma e outras matérias, alguns dos quais proibidos no seu país, já que nos últimos anos de vida se converteu num crítico à repressão cultural do regime comunista.

 

 

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