“Romântico e suave”, o clássico “O Quebra-nozes” sobe ao palco do Centro Cultural de Macau

O Ballet de Hong Kong traz a Macau uma das suas grandes produções. “O Quebra-nozes”, um clássico natalício que há décadas atrai gerações às salas de espectáculos do mundo inteiro, sobe, a partir de hoje – e por três vezes – ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau.

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“Clara e Fritz decoram a árvore de Natal com a ajuda dos pais, quando chega o tio Drosselmeyer com os presentes para as crianças. Coloca-os junto à árvore, onde desembrulha uma grande casa de bonecas. No andar de cima, no quarto dos miúdos, o tio Drosselmeyer lê-lhes uma história sobre um destemido Quebra-nozes, uma bonita Bailarina e um Rato malvado”.

Assim começa o primeiro acto de um dos bailados clássicos mais populares em todo o mundo, encenado ao som da música imortal do compositor russo Piotr Illitch Tchaikovsky. O espectáculo sobe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau por três vezes este fim-de-semana. “O Quebra-nozes” chega com uma interpretação do jovem coreógrafo Terence Kholer e da dramaturga Clair Sauran, que se uniram a uma das companhias mais renomadas de dança clássica asiática, o Ballet de Hong Kong.

A peça de ballet em dois actos foi adaptada pelo escritor francês Alexandre Dumas a partir do conto “O Quebra-nozes e o Rei dos Ratos”, da autoria de Ernst Theodore Amadeus Hoffman e originalmente publicado em 1816. Alguns anos decorreram até que o bailado – coreografado pela primeira vez pelo russo Marius Petipa – conquistasse o público. Em meados do século XX, a obra tornou-se num fenómeno e marcou posição no espaço da cultura popular, sendo das mais representadas na quadra natalícia.

A interpretação apresentada pelo Ballet de Hong Kong “é um conto de fadas dentro de uma casa de bonecas”, disse em conferência de imprensa Madeleine Onne, directora artística, desde há oito anos, da companhia de bailado da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong.

“Romântico e suave”, com um “palco acolhedor e cenário e música bonitos” é como Yao Jin – chinesa e a “ballerina” nesta versão de “O Quebra-nozes” – descreve a peça. Desde 2005 bailarina principal do Ballet de Hong Kong, Yao garante que o sonho de uma vida se tornou realidade no colectivo da antiga colónia britânica: “Quando cheguei da China [Ballet Nacional da China], (…) senti que no Ballet de Hong Kong há muita liberdade. Posso estar em contacto com vários estilos de ballet”, contou a bailarina. “O Terence [Kholer] fez este ballet para nós”, disse Yao, salientando que, neste espectáculo, pode mostrar o seu estilo pessoal.

Madeleine Onne, oriunda de Estocolmo e radicada na Ásia em 2009, assinalou que o estilo pessoal de cada dançarino é algo a que a companhia tem dado especial atenção: “Quando cheguei a Hong Kong, senti que os dançarinos eram óptimos, mas tentavam imitar-se uns aos outros. Mas se conseguimos desenvolver mais a parte artística (…), devemos focar-nos nisso”, apontou a responsável. “O que acontece é que o grupo [de bailarinos] responde a isto e cada actuação tem vida. E eu adoro quando as coisas acontecem aqui e agora e que os dançarinos tenham adoptado isso [essa filosofia]”, acrescentou.

A Ryo Kato cabe o papel de o Quebra-nozes nesta adaptação do clássico. Nascido no Japão, Kato estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Portugal. A sua formação teve cunho russo, uma vez que os seus professores – ainda que a estudar em terras lusas – eram naturais da Rússia. Referiu que, em Portugal, “as peças contemporâneas têm mais força, nada como ‘O Quebra-nozes’ ou a ‘Bela Adormecida’ [bailado também musicado por Tchaikovsky]”. No Ballet de Hong Kong, assumiu Kato, existem peças contemporâneas e peças clássicas: “É muito bom para estudar e para evoluir”.

Para o espectáculo, que decorre hoje e amanhã às 19h30 e no domingo às 15h, foram seleccionados alguns alunos da Escola de Dança do Conservatório de Macau. Quanto ao público, Yao Jin acredita que “vão gostar”: “Nós trazemos um ‘O Quebra-nozes’ diferente de outro qualquer, de qualquer companhia”, assegurou a bailarina. J.F.

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