Irmão de Florinda Chan tratava de pagamentos a arguido ligado a Ho Chio Meng

Roque Silva Chan, irmão de Florinda Chan, recebia os orçamentos e tratava de garantir que pelo menos um dos arguidos dos processos conexos a Ho Chio Meng recebia os pagamentos. O ex-Procurador já tinha acusado Florinda Chan de lhe ter ligado a pedir emprego para familiares.

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O irmão de Florinda Chan era quem tratava dos pagamentos que o Ministério Público realizava a Wong Kuok Wai, um dos arguidos do caso conexo ao do ex-Procurador Ho Chio Meng. A revelação foi avançada ao início do dia de ontem pelas plataformas All About Macau e Macau Concealers, que revelaram a ligação entre o funcionário do Ministério Público Roque Silva Chan e a antiga secretária para a Administração e Justiça.

Wong Kuok Wai é o dono de uma empresa a quem foram adjudicados pelo Ministério Público, na altura em que o organismo era liderado por Ho Chio Meng, os serviços de limpeza de vários instalações como a polémica sala de descanso para docentes, no edifício Hotline, a residência oficial do Procurador, na Colina da Penha e ainda a vivenda arrendada pelo Ministério em Cheoc Van.

Na quarta-feira, quando questionado em tribunal, Wong Kuok Wai afirmou que entregava o orçamento das reparações que fazia a um funcionário do Ministério Público, que depois tratava de fazer com que ele fosse pago. A tradução simultânea identificou este funcionário como “Rocky Chan”. No entanto, a Rádio Macau escreveu o nome do funcionário em português, revelando que se tratava de Roque Silva Chan.

Foi a partir da revelação do nome português do arguido que os sites chineses conseguiram chegar à informação, através de fontes não identificadas, que confirmaram que Roque Silva Chan é irmão de Florinda Chan.

O PONTO FINAL contactou ontem, através do telefone, o Tribunal de Última Instância para perceber se tinha havido utilização propositada do nome com contornos inglesados para evitar qualquer tipo de associação com a antiga titular da pasta da Administração e Justiça, mas o funcionário apontou o caso como um mero erro de pronúncia: “Silva Chan, Roque é o nome do indivíduo que foi mencionado. Não sei porque foi utilizado a palavra ‘Rocky’, mas no processo está Roque por isso deve ter havido um erro da interpretação simultânea”, disse o funcionário, ao PONTO FINAL.

Questionado se o erro era do TUI, o funcionário apontou o dedo à interpretação: “Isto tem a ver com os intérpretes não tem nada a ver connosco”, assegurou.

De acordo com o portal All About Macau, Roque Silva Chan é funcionário no Ministério Público desde 2000, sendo que actualmente ocupa a posição de auxiliar de técnico especialista de 3.º escalão.

O mesmo jornal diz que outros órgãos de comunicação social em língua chinesa noticiaram anteriormente que a alegada chamada que Ho Chio Meng recebeu de Florinda Chan a pedir-lhe emprego para um familiar também tinha sido efectuada em 2000.

 

Advogado Pedro Leal acusa TUI de conduta ilegal

O facto de na quarta-feira os arguidos no processo conexo, Wong Kuok Wai e Mak Im Tai, terem sido obrigados a depor na audiência do caso Ho Chio Meng contra a sua vontade valeu duras críticas ao TUI por parte de Pedro Leal.

“Nos termos do artigo 120 do Código Processo Penal, estão impedidos. Impedidos não é podem recusar ou qualquer coisa desse género. Estão impedidos. Significa que as pessoas não podem depor. Não podem depor os arguidos e co-arguidos dos mesmos processos ou de processos conexos”, disse Pedro Leal, em declarações à Rádio Macau.

“Ao prestarem declarações como testemunhas – e as testemunhas não podem mentir – podem estar a incriminar-se. Pura e simplesmente, esta é a razão de ser do artigo”, complementou.

Apesar do advogado ter pedido para que os seus dois clientes fossem dispensados de depor, Sam Hou Fai obrigou os dois a comentarem os crimes de que não estão acusados: “Ou aceitava a decisão ou recorria. E eu pergunto: recorro para quem? Para onde se recorre de uma decisão do Tribunal de Última Instância?”, sublinhou Pedro Leal.

“A segunda questão que se coloca é no sentido de que os factos que de estão a ser acusados o ex-procurador e os meus constituintes não são os mesmos. Isso não corresponde à realidade porque os factos são, exactamente, os mesmos. Porquê? Ambos estão acusados do crime de associação de malfeitores. Havendo uma associação de malfeitores não pode haver apenas uma pessoa”, contestou o advogado.

 

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