Da poluição, da humidade e de outro demónios

Um lençol de neblina envolveu ontem o território ao longo de todo o dia. A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) diz que mais do que à poluição, o véu se ficou a dever à humidade relativa, que ontem atingiu um valor superior a 80 por cento.

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O índice de qualidade do ar oscilou ontem entre o moderado e o muito crítico, dependendo das plataformas de leitura da concentração de poluentes consultadas pelos residentes do território. A leitura oficial feita pela Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos nas estações de medição do território indicavam ar de qualidade “moderada”, ainda que no portal electrónico do organismo, durante uma boa parte do dia, fossem desaconselhadas as actividades ao ar livre.

O PONTO FINAL contactou a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) para obter esclarecimentos acerca das diferenças abismais entre os índices de poluentes referenciados pelo organismo e os valores apresentados por outras plataformas. O portal The World Air Quality Index (AQI) Project, por exemplo, assumia, à mesma hora que os SMG, que o nível de concentração de poluentes em Macau era prejudicial à saúde um pouco por todo o território, da Península de Macau a Coloane, passando pela Taipa.

Na resposta, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos referiram que “o índice de qualidade do ar dos SMG é baseado em directrizes propostas nos padrões da Organização Mundial de Saúde e está apoiado nas medições das concentrações diárias provenientes das Estações de monitorização dos poluentes PM10, PM2.5, SO2, NO2, CO, O3 e no grau de afectação de cada poluente na saúde da população.”

Ontem, ao final da noite, a qualidade do ar voltou a ser considerado insalubre pelo organismo em dois pontos da cidade, com um índice de 102 na Zona do Parque Central da Taipa e de 101 em Coloane. Tal como noticiado pelo PONTO FINAL na terça-feira, o índice de qualidade do ar registado no território no dia anterior atingiu uma concentração de 101 e 104 partículas em suspensão nas estações de vigilância da Areia Preta e da colina da Taipa Grande, respectivamente.

Segundo Alvis Lo Iek Long, pneumologista e presidente da Associação da Nova Juventude Chinesa, “existem muitas formas de medir os poluentes do ar, mas que o foco deve ser no componente PM2.5” quando temos em conta o efeito directo da poluição na saúde da população.

O clínico explicou ao PONTO FINAL que existem várias recomendações a transmitir aos residentes quando os níveis de concentração de partículas em suspensão ultrapassa os valores estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS): “Aqueles que sofram de doenças cardíacas e pulmonares ou outros problemas de saúde, devem reduzir as actividades ao ar livre. Contudo, se for totalmente necessário frequentarem espaços exteriores devem usar máscara”, assinalou.

Alvis Lo alertou ainda para as diferenças entre modelos de máscaras utilizadas pela população, considerando que as máscaras cirúrgicas – as mais usadas – “não são úteis para filtrar os poluentes”: “O modelo N95 é melhor para reduzir os efeitos vastos dos poluentes do ar”, afirmou, acrescentando que as pessoas que não sofrem de doenças crónicas não precisam de se proteger com o recurso a máscara.

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