Bo Yibo morreu há dez anos

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O histórico líder comunista chinês Bo Yibo faleceu faz domingo dez anos. A China pós-maoista que ajudou a delinear, onde o Estado autoritário se manteve apesar da abertura económica, terá contribuído para a queda do filho, Bo Xilai.

Natural da província de Shanxi, noroeste da China, Bo Yibo aderiu ao Partido Comunista Chinês (PCC) em 1925, com apenas 17 anos.

Após a fundação da República Popular da China, em 1949, foi nomeado ministro das Finanças e, mais tarde, ocupou o cargo de vice-primeiro-ministro.

No entanto, durante a Revolução Cultural (1966-1976), uma radical campanha política de massas lançada pelo líder comunista Mao Zedong, foi preso, acusado de “contra-revolucionário”.

Bo, que era um aliado do então Presidente Liu Shaoqi, terá caído em desgraça por apoiar a abertura da China ao comércio com países capitalistas.

A sua mulher morreu sob a custódia dos guardas vermelhos, os jovens radicais que constituíam “a vanguarda” do movimento. Os filhos foram enviados para o campo “para aprenderem com os camponeses”.

Após a morte de Mao, em 1976, Bo Yibo tornou-se um dos “Oito Imortais” – os líderes do Partido Comunista Chinês que, depois de purgados, retomaram a vida política com a ascensão de Deng Xiaoping, o “arquitecto-chefe das reformas económicas”.

Bo Yibo bateu-se então com Deng pela abertura da China à economia de mercado, contra a facção mais ortodoxa do PCC, mas opôs-se sempre a reformas políticas.

Em 1987, apoiou a remoção de Hu Yaobang do cargo de secretário-geral do PCC, acusando-o de promover o “liberalismo burguês”, termo com que se referia à democracia multipartidária.

Apoiou também publicamente a sangrenta repressão militar do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, a 4 de Junho de 1989.

O seu último legado foi a ascensão política do filho Bo Xilai, até há poucos anos visto como forte candidato ao Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China.

Bo Xilai, que na década de 1990 dirigiu Dalian, cidade portuária no nordeste da China, foi mais tarde governador da província de Liaoning, antes de ser promovido a ministro do Comércio, em 2004.

Contudo, o homicídio do empresário britânico Neil Heywood, em Novembro de 2011, num hotel de Chongqing, onde era então líder da organização local do PCC, veio pôr termo à sua ascensão.

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