Anima requer autorização ao ministro da Agricultura para levar 650 galgos para Portugal

 

O presidente da Anima entregou ao ministro da Agricultura de Portugal um requerimento que visa a entrada no país de 650 galgos do Canídromo de Macau. A associação pretende acolher os animais ainda antes do término da concessão da estrutura à Companhia Yat Yuen. Albano Martins conta já com o apoio da autarquia de Borba, no Alentejo, para encontrar um terreno de 50 hectares onde tenciona construir um centro internacional para realojar os galgos e animais abandonados.

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Sílvia Gonçalves

Depois de uma reunião com o ministro português da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, o presidente da Anima enviou ao governante um requerimento a pedir autorização para transportar 650 galgos de Macau para Portugal. A iniciativa foi sugerida a Albano Martins pelo próprio ministro Luís Capoulas Santos, que explicou ser esse procedimento necessário para que o ministério possa verificar se o enquadramento legal português permite a entrada no país, de uma só vez, de um tão elevado número de animais. Martins, que se encontra em Portugal, reuniu entretanto com o presidente da Câmara Municipal de Borba, que se mostrou favorável ao projecto da Anima de construir no Alentejo um centro internacional de realojamento de animais, onde pretende acolher os galgos do Canídromo ainda antes do término da concessão da estrutura à Companhia de Corridas de Galgos de Macau, definido para Dezembro de 2018.

“Expus ao Capoulas Santos a situação dos galgos e o desejo que tinha de os levar todos para Portugal, para um centro internacional a ser construído caso eu obtenha os galgos vivos do Canídromo. E portanto era preciso saber se a lei portuguesa permitia a entrada de tantos animais em Portugal, porque é a única coisa que preciso do ministro”, revelou ontem Albano Martins ao PONTO FINAL.

Na reunião, que decorreu a 27 de Dezembro em Lisboa, o ministro da Agricultura confirmou ao presidente da Anima que a necessária autorização de entrada dos animais em Portugal é da responsabilidade do ministério que tutela: “Em relação à localização do centro, isso já tem a ver com as câmaras, aí ele não pode interferir, mas eu acho que ele se mostrou aberto ao nosso projecto. A única coisa que ele tem que verificar já é se a lei permite a entrada destes animais”, explicou o presidente da Anima.

Na mesma reunião, Capoulas Santos sugeriu a Albano Martins que lhe remetesse um requerimento para oficializar o processo de averiguação, o que o economista cumpriu no mesmo dia: “A única coisa que ele disse é que teria que ver como é a legislação, para depois voltarmos a conversar. E para isso era necessário, para todo o processo ser mandado para baixo oficialmente, era preciso, face às disposições legais, que a Anima apresentasse um requerimento a fazer esse pedido. E nós apresentamos o requerimento oficial a pedir apenas isso, a permissão para entrada de 650 animais. Já foi enviado para o seu email pessoal, a abertura é tão grande que ele deu o seu email pessoal”, assinala.

O ministro do Executivo liderado por António Costa sugeriu ainda a Martins que contactasse de imediato as autarquias, de modo a definir uma localização para o futuro centro. “Foi ele próprio que me sugeriu que fizesse já o contacto com as autarquias. E eu como já tenho uma autarquia conversada, tive uma reunião com o presidente da câmara, que mostrou uma abertura total a dar apoio. Ele próprio vai procurar um terreno para a localização do espaço para a Anima. É a autarquia de Borba, no distrito de Évora [onde Martins tem residência em Portugal]”.

Albano Martins até já tem um terreno, mas considera a dimensão e a localização desadequadas para os propósitos do projecto: “Já tenho um terreno, só que tem 30 hectares, e a localização não é a melhor porque obriga a passar por outros através de estradas secundárias. E o que eu quero é um terreno com muito fácil acesso, onde as pessoas, através de simples estradas, possam entrar directamente nas instalações”. Tarefa para a qual conta com o apoio do autarca de Borba: “Ele vai investigar não só que terrenos estão disponíveis de 50 hectares, como em que terrenos é possível a construção de um abrigo com as dimensões que nós queremos”, explicou.

A autarquia de Estremoz, onde Martins já foi presidente do conselho directivo da escola secundária, é também uma possibilidade para o dirigente, mas Borba assume para já o topo das preferências: “Achei por conveniente tentar primeiro em Borba, que é onde eu estou oficialmente, e porque este projecto vai criar postos de trabalho”. Quantos? “Se o projecto for como a Anima, pode vir a criar à volta de trinta postos de trabalho”.

Albano Martins, que chega amanhã a Macau, regressa a Portugal em Fevereiro, altura em que já conta ter as respostas do ministério e da autarquia: “Agora o que nós estamos a acelerar é a pressão sobre o Governo de Macau para que a Anima possa gerir o espaço do Canídromo por um ano, até conseguir resolver definitivamente o questão dos animais”. Mas do Executivo, para já, só sobra silêncio: “O Governo de Macau não tem dito nem ai nem ui. Por isso passei eu à segunda fase, que é pedir apoio às organizações internacionais. Elas vão organizar uma petição internacional, pedem que o Governo, em nome de uma boa imagem de Macau, consiga convencer o Canídromo a entregar os galgos à Anima, para que depois aconteça a nossa parte, que é pedirmos a gestão do Canídromo por um ano”.

A Associação pretende que os animais lhes sejam entregues ainda antes do término da concessão: “O mais rápido possível. Porque durante o término da concessão, quando chegarmos a 2018, os animais já estão todos mortos. Já morreram 50 animais, já só há 650 galgos no Canídromo”, alega o dirigente.

Em Outubro, Albano Martins havia já referido ao PONTO FINAL ser necessário encontrar um patrono que financie o projecto em Portugal. O também economista estima agora que os custos associados ao novo centro “vão ficar à volta de oito milhões de patacas anuais”. O patrono ainda não está definido, mas “esse apoio vai ser encontrado em Macau”, acredita Martins. Se tudo correr conforme planeado, o presidente da Anima espera abrir as portas do centro no Alentejo no início de 2018.

 

 

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