Empreendedorismo, educação, tecnologia e liderança em discussão na Universidade de São José

 

Divide-se, duas vezes por ano, entre a Ásia e os Estados Unidos da América e até ao final da manhã decorrem na Universidade de São José. A instituição de ensino superior acolheu ao longo de dois dias o primeiro ciclo de conferências da Chinese American Scholars Association: do ‘e-learning’ à filosofia chinesa, o leque de temas abrangido no programa do evento espelha o interesse dos oradores pela realidade chinesa.

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São itinerantes, multifacetados e durante dois dias assentaram arraiais em Macau. Duas vezes por ano, os ciclos de conferências E-Leader distribuem-se por dois pontos do globo, abordando questões de interesse comum como a Educação à Distância, o Empreendedorismo, o Comércio Electrónico ou a Ética e Responsabilidade Social. O fórum global organizado pela Associação de Académicos Sino-Americanos (CASA, a partir da designação em inglês Chinese America Scholars Association), organização com sede nos Estados Unidos da América, decorre em solo americano no Verão e na China no Inverno. Pela primeira vez em Macau, a iniciativa teve como palco as instalações da Universidade de São José (USJ), no NAPE, durante os dias de ontem e de hoje.

Os mercados emergentes do Brasil, da Europa de Leste, da Rússia, da Índia e da China destacaram-se internacionalmente em 2004 e deram o mote à fundação, por parte de 15 académicos, da organização responsável pelo certame. Os fundadores da CASA consideraram premente, por inerência, a discussão de formas inovadoras de aprendizagem, que se possam revelar transversais a todas as disciplinas académicas. Em 2006, realizou-se a primeira conferência E-Leader que se seguiu, até ao presente, de outras 20 iniciativas do género.

A  Associação de Académicos Sino-Americanos é composta por 260 membros oriundos de 44 países, responsáveis pelo processo de selecção e revisão dos temas e dos artigos que são colocados em discussão em cada uma das conferências.

A estreia da iniciativa em Macau marca o início das actividades de 2017. A USJ estabeleceu o contacto com a Associação de Académicos  Sino-Chineses em 2014 através de José Alves, director da Faculdade de Administração e Empreendedorismo da instituição de ensino superior. A universidade limita-se a oferecer o espaço para a organização do evento, mas este vai ao encontro do papel que a instituição tem vindo a desempenhar desde a sua criação: “É a missão da universidade que, desde a sua fundação, pretende ser uma plataforma. É uma actividade que nós devemos fazer mais, encorajar mais: trocar ideias e criar diálogos. Esse é o destino da Universidade de São José e, se calhar, é o destino também de Macau”, explicou o dirigente.

José Alves sublinhou que os temas são propostos pelos autores dos artigos e, segundo o próprio, o que os une, na sua generalidade, são duas coisas: por um lado, a China – “no fundo, todos [os autores] têm um interesse relativo pela China” – e por outro , “pelo menos esta conferência, relaciona-se com tecnologias, cidades inteligentes e aprendizagem através do e-learning”. O tema, defende José Alves, dificilmente poderia ser mais premente: “Vejo uma tendência nova que é a utilização das tecnologias em diferentes ramos de actividade económico-social”, diz o responsável, acrescentando que “há muitos ‘papers’ em termos de estudos comparativos”.

“Há sempre um interesse em tentar aprender com outra cultura – uma segunda cultura – e isso é importante aqui. No fundo, é esse o papel que Macau tem desempenhado ao longo dos anos e a conferência preenche esse ‘gap’ que eu acho que é interessante”, salienta Alves.

Os convites direccionados pela Universidade de São José a professores dos Estados Unidos da América é regular, tal como a visita de académicos norte-americanos ao território: “Da nossa experiência, aqui na universidade, convidamos sempre muitos professores dos EUA e, aliás, uma das coisas que os atrai a Macau é virem conhecer a China e conhecer a USJ. Obviamente, Macau representa a sua história, os 500 anos dos portugueses em Macau, e mais os séculos anteriores a isso, mas eu acho que é um bom local para pessoas que vêm ou da Europa ou dos EUA e que tenham interesse na China para iniciarem a sua aprendizagem”, sustenta Alves.

Para a primeira edição de 2017 do E-Leader, chegaram 16 académicos e investigadores do Alasca, do Wisconsin e de Nova Iorque nos EUA, mas também de Vancouver (no Canadá), de Hong Kong, de Singapura, de Omã e das Filipinas. Provenientes de diferentes geografias, “o que os une a todos é, de facto, o interesse em discutir assuntos relacionados com a economia, a sociedade da China, (…) portanto têm sempre uma ligação”, esclareceu o director da Faculdade de Administração e Empreendedorismo.

Quando questionado sobre a não participação de autores locais, José Alves assinalou, porém, que muitos trabalhos são desenvolvidos na Universidade de São José no âmbito do contexto e realidade de Macau: “Não houve oportunidade ou interesse, ainda, para as pessoas localmente fazerem algum ‘paper’, mas é uma oportunidade boa, quer para os professores da Universidade de São José, quer das outras universidades, apresentarem os seus artigos e trabalhos de investigação. Eu penso que, no futuro, vai acabar por acontecer”, confessou. J.F.

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