Portas cerradas. Autoridades recusam entrada a activistas de Hong Kong

 

Frederick Fung Kin-kee e Cheung Man-kwong foram impedidos de entrar no território no sábado. Os dois activista, um da Associação para a Democracia e o Sustento da População e o outro do Partido Democrático, exigem explicações às autoridades do território.

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Dois militantes pró-democracia da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong foram no sábado impedidos de entrar em Macau e acusaram o Governo do território de ter uma “lista negra” de residentes da ex-colónia britânica que barram na fronteira.

Frederick Fung (na foto), da Association for Democracy and People’s Livelihood, e Cheung Man-kwong foram impedidos de entrar em Macau com o argumento de que representam uma ameaça e foram enviados de volta para Hong Kong, segundo contaram os próprio à rádio e televisão pública de Hong Kong (RTHK) e ao South China Morning Post.

Frederick Fung  Kin-kee afirmou que já foi impedido de entrar em Macau por três ocasiões:

“Penso que o governo da Região Administrativa Especial de Macau tem uma lista negra de pessoas de Hong Kong”, afirmou, considerando que é algo injustificável. “Sou cidadão de Hong Kong [e] não fiz nada”, disse, defendendo que o Governo de Hong Kong deve esclarecer a situação junto das autoridades de Macau.

Cheung Man-kwong, por sua vez, disse ao South China Morning Post que tencionava apenas entrar em Macau com a família para visitar alguns dos restaurantes do território. O veterano activista do Partido Democrático diz ter sido posteriormente informado que houve um desfasamento temporal na comunicação entre as autoridades do Continente e as autoridades do território: “Foi-me dito que se voltasse no dia a seguir que conseguiria entrar. Mas não estou diposto a gastar dinheiro noutro bilhete de barco”, disse o activista à publicação da antiga colónia britânica.

O impedimento de entrada em Macau acontece com alguma regularidade, ao abrigo da lei de segurança interna, habitualmente em dias próximos de datas comemorativas ou de visitas de alto nível de governantes da China.

Foi o que aconteceu em Outubro passado, quando o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, esteve na cidade e dois ex-activistas e um cineasta de Hong Kong foram impedidos de entrar em Macau, com o mesmo argumento de que representam uma ameaça à segurança.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau não tem por hábito apresentar motivos concretos. À Lusa, e a propósito de um dos casos ocorridos em Outubro, a polícia indicou apenas que é da sua responsabilidade a “inspecção e o controlo da entradas e saídas da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]”, incluindo “decidir autorizar ou recusar a entrada de visitantes”.

A PSP acrescentou não ter “nada a referir e comentar” sobre “um caso particular”.

Na altura, também o antigo activista Roddy Shaw Kwok-wah disse acreditar que está “em algum tipo de lista negra”: “Acredito que já não estou na lista do Governo de Hong Kong, mas posso continuar na da China”, afirmou.

A 19 de Dezembro de 2014 – véspera da comemoração dos 15 anos da transferência da administração de Macau de Portugal para a República Popular da China – quatro jornalistas do Apple Daily e 14 activistas tiveram entrada recusada no território. Macau recebeu, nessa altura, a visita do Presidente chinês, Xi Jinping.

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