Arquitectura, arte contemporânea e ambiente. Os três amores da BABEL

Entre o desenvolvimento célere e a valorização da arte, da arquitectura e do ambiente do território surgiu, há três anos, a organização cultural BABEL. Os projectos – anuais – desenhados para 2017 mantêm a lógica de criação de sinergias com o propósito de proporcionar oportunidades de aprendizagem ao residentes de Macau.

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A BABEL, organização cultural que centra atenções na arte contemporânea, na arquitectura e na vertente ambiental de Macau, começa a dar forma aos projectos anuais que desenvolve desde há três anos. Com programas dirigidos a todas as faixas etárias da população do território, a BABEL continua a apostar no intercâmbio entre artistas, realizadores de cinema e estudantes de vários pontos do globo, assim como no incentivo à promoção de artistas locais e na celebração da arquitectura da cidade.

O ‘New Visions’ é um dos projectos desenvolvidos por Margarida Saraiva, fundadora e directora artística da organização, e tem como objectivo fundamental proporcionar a artistas locais a realização de uma grande exposição individual. Na sua terceira edição – que arrancou ontem e que se prolonga até ao dia 24 de Fevereiro – mantém-se a lógica que tem dado sentido à iniciativa: “Nós oferecemos, para além da exposição, um livro e um filme. Para o livro, convidamos críticos de arte contemporânea internacionais para escrever sobre artistas locais. Esperamos que estas três coisas, em conjunto, possam servir para ajudar a internacionalizar a obra dos artistas”, explicou a dirigente ao PONTO FINAL.

Este ano destaca-se a fuga à tendência de dar espaço a artistas muito jovens: “Esta é a primeira vez que trabalhamos com um artista que, efectivamente, já tem um percurso mais longo. Por isso, para nós também é um desafio”, confessou Margarida Saraiva.

José Drummond é o convidado deste ano da iniciativa “New Visions”. O artista não só projectou ontem, na Cinemateca Paixão, o seu filme “This Monster Of Beauty Is Not Eternal”, como também vai mostrar outros dos seus trabalhos artísticos numa exposição a ser inaugurada a 20 de Janeiro. A fundadora da BABEL esclareceu o motivo que levou à escolha do artista plástico português para compor o programa deste ano do ‘New Visions’: “Às vezes, os artistas que já têm um percurso mais longo como o José [Drummond] e que também desenvolvem trabalho de curadoria, acabam por ter poucas oportunidades de apresentar o seu trabalho artístico propriamente dito e achámos que esta seria uma oportunidade interessante para ele”, explica.

 

MAP e inFLUXUS garantidos em 2017, mas ainda em fase de planificação

 

Os projectos Macau Architecture Promenade (MAP) e inFLUXUS abarcam actividades distintas, contudo servem a mesma missão: gerar oportunidades de aprendizagem nos campos da arte contemporânea, da arquitectura e do ambiente através do cruzamento de culturas e disciplinas: “Estamos a fechar os ‘highlights’ principais”, referiu Margarida Saraiva.

 

A segunda edição do MAP está prevista para Outubro do próximo ano: “É uma celebração da arquitectura da cidade”, assinalou a directora criativa da BABEL. “No fundo, fazia sentido para nós que uma cidade que é Património da Humanidade pudesse celebrar também a sua arquitectura, não só histórica como contemporânea. Esse é o projecto que estamos agora a fechar e a entrar numa fase de financiamento.

Só em Abril do próximo ano os projectos vão poder ser anunciados em particular, mas alguns já estão bem definidos: “Temos uma intervenção num espaço público, em grande escala (…) Desta vez dirigimos o convite a um arquitecto japonês; temos também participações de um artista português – também com uma intervenção num espaço público; e, depois, as outras coisas que são mais pequenas acontecem aqui e acolá – nas escolas com visitas, passeios a vários espaços da cidade e, este ano, talvez passeios de bicicleta”, avançou Margarida.

O inFLUXUS, por outro lado, “é um intercâmbio internacional de artistas, realizadores de cinema e estudantes, que envolve a cidade de Macau, Lisboa, Porto e Pequim e os estudantes, os artistas e os realizadores circulam pelas cidades e fazem um trabalho criativo, colaborativo”, referiu a fundadora da BABEL.

O tema para o inFLUXUS do próximo ano continua por decidir, mas Margarida Saraiva falou ao PONTO FINAL sobre o processo de selecção: “Normalmente seleccionamos os alunos até ao final do ano lectivo, por isso mais ou menos até Maio, Junho. Depois seleccionamos um tema (…) e com a selecção do tema escolhemos os artistas e os realizadores que participam, porque há artistas que se interessam mais sobre alguns assuntos e tópicos”, explica.

A directora da BABEL faz um balanço positivo dos três anos de existência de uma organização que se propõe promover a cultura local: “Há programas que são mais apelativos para o público em geral e programas que são menos apelativos. Os mais especializados nós já contamos, à partida, que o público seja sempre mais reduzido. O “New Vision”, o “inFLUXUS” têm um público garantido; o MAP só teve uma edição, mas foi uma edição que também considero bem sucedida”, rematou. J.F.

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