Residentes chumbam corrupção

A corrupção é a principal preocupação da população do território, revela um estudo de opinião coordenado pela Universidade de Hong Kong. Mais de um terço dos inquiridos expressou o desejo de ter uma sociedade livre de corrupção, em detrimento de uma sociedade mais justa ou mais próspera.

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Mais do que próspera, justa ou livre, os residentes do território gostariam, em primeiro lugar, de ter uma sociedade livre de corrupção, revela uma sondagem publicada pelo Programa de Opinião Pública da Universidade de Hong Kong (HKUPOP).

Segundo os resultados da sondagem, que contou com uma amostra de 520 residentes de Macau, um terço (33,9 por cento) expressa o desejo de ter uma sociedade “livre de corrupção”, mais do que “próspera” (20,8 por cento), voltada para o bem-estar social (17,8 por cento), “justa” (16,5 por cento) ou “livre” (9 por cento).

A preferência, em primeiro lugar, por uma “sociedade livre de corrupção” na sondagem que a HKUPOP publica sobre Macau anualmente, por ocasião do aniversário da transferência do exercício de soberania de Portugal para a China, que se celebrou a 20 de Dezembro, tornou-se numa tendência nos últimos anos, mas nem sempre foi assim. A ‘viragem’ deu-se em 2007, quando passa a figurar no topo do tipo de sociedade idealizada, depois de em 2006 ter sido a quarta (e última) opção dos inquiridos (7,8 por cento).

Foi em 2006 que estalou o maior escândalo de corrupção da era da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), envolvendo o então secretário para os Transportes e Obras Públicas.

Ao Man Long, detido em Dezembro de 2006, foi julgado e condenado em três processos, por corrupção e branqueamento de capitais, abuso de poder e riqueza injustificada, a uma pena única de 29 anos de prisão: a pena máxima, em cúmulo jurídico, permitida é de 30 anos.

Os resultados da sondagem realizada no início do mês pela Hong Kong University comprovam ainda a tendência do ‘ranking’ das principais preocupações dos residentes de Macau.

No topo surgem os problemas associados à qualidade de vida (73,6 por cento), seguindo-se os de cariz económico (21,7 por cento) e, por fim, os políticos (1,4 por cento). Esta ordem manteve-se nos últimos anos, mas há excepções.

Na sondagem de 2008, por exemplo, os residentes de Macau estavam mais preocupados com os problemas económicos do que os relativos ao bem-estar social (50,6 por cento contra 44,3 por cento). Em 2000, a diferença é ainda maior (79,4 por cento contra 16,1 por cento).

Já as preocupações relacionadas com problemas políticos figuram na ‘cauda’ desde a transição de administração, em 1999: a percentagem mais elevada foi registada no ano passado (5,3 por cento).

A sondagem da Universidade de Hong Kong cobre uma série de itens, incluindo a popularidade do chefe do Executivo. A taxa de aprovação de Fernando Chui Sai On, que cumpre o seu segundo e último mandato, situa-se em 60,7, numa escala de zero a 100 pontos, contra os 55,5 de 2009, ano em que tomou posse.

Contudo, comparativamente a 2009, o número dos que votariam em Fernando Chui Sai On – se houvesse eleições hoje e se pudessem votar – é menor: 43,8 por cento dos inquiridos respondeu ‘sim’ contra 46,2 por cento em 2009 e 39,2 por cento ‘não’ contra 29,2 por cento em 2009.

O líder do Governo de Macau é eleito por um colégio eleitoral de 400 membros.

A sondagem cobre ainda os níveis de satisfação relativamente ao desempenho do Governo – em termos globais e mais específicos, como a perspetiva da manutenção da prosperidade económica, da proteção dos direitos humanos e liberdades ou da melhoria das condições de vida ou do ritmo de desenvolvimento democrático, mas também das relações de Macau com a República Popular da China, por exemplo, com a maioria dos indicadores a registar aumentos.

 

 

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