Chui Sai On diz desconhecer se “cunhas” são prática comum no Governo

“Sejam mais exigentes convosco próprios”. Este é o recado que o Chefe do Executivo deixou aos membros do seu Governo. A secretaria para a Administração e Justiça, Sónia Chan, assume a directiva como uma promessa: a responsável diz que não pode “mudar o passado”, mas garante que vai ter “mais cuidado no futuro.

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Rodrigo de Matos

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, desdramatizou ontem o caso da secretária para a Administração e Justiça, depois de Sónia Chan ter assumido que recomendado a contratação de um familiar ao Ministério Público (MP). O líder do Governo apontou o facto de Macau ser uma cidade pequena, onde todos se conhecem, e admitiu desconhecer se outros membros do seu Executivo no passado fizeram também telefonemas a recomendar pessoas próximas para cargos públicos.

A polémica estalou recentemente, quando o antigo procurador Ho Chio Meng – no âmbito do julgamento em que responde por associação criminosa e outros crimes –  revelou ter recebido no passado uma chamada da então coordenadora do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais a indicar uma pessoa para uma vaga no Ministério Público. Em declarações aos jornalistas, ontem antes de proferir o seu discurso na recepção da Celebração do 17.º aniversário do estabelecimento da RAEM, Chui Sai On começou por se escusar a comentar o caso da secretária para a Administração e Justiça, alegando respeito pela independência dos tribunais. Mas, à pergunta directa sobre se outros dirigentes costumavam fazer o mesmo respondeu: “Ah, eu não sei”.

O Chefe do Executivo olha para o caso com frieza: “Na minha maneira de ver as coisas, a nossa sociedade em Macau é muito pequena, com várias gerações, em que as pessoas se conhecem e às vezes são amigas. Por exemplo, eu próprio sou membro da sexta geração da minha família em Macau e conheço muita gente”. Chui Sai On sublinhou, no entanto, ser necessário que os membros da classe dirigente sejam todos “mais exigentes consigo próprios” nessas questões.

 

Sónia Chan: “Caso foi pontual e não voltarei a fazer o mesmo”

 

Inevitavelmente abordada pelos jornalistas sobre o caso, a própria Sónia Chan admitiu o feito, mas garantiu que se tratou de um caso isolado e prometeu não repetir: “Para além daquele telefonema, não fiz mais chamadas nem interferi ou pratiquei troca de interesses. Achei que se tratava de uma pessoa capaz e a recomendei. Mas, no futuro irei elevar as minhas exigências a mim própria”, afirmou, reiterando a ideia referida por Chui Sai On.

A secretaria para a Administração e Justiça admitiu ter ela própria recebido, por sua vez, recomendações de outras pessoas, mas garantiu que sempre que isso acontece só há uma coisa a fazer: ver se esses candidatos têm as qualificações e capacidade para os cargos em causa e admiti-los sempre de acordo com a lei e sem subverter o princípio dos concursos públicos.

Sónia Chan mostrou-se ainda disposta a aceitar com naturalidade a vigilância apertada da sua conduta pelos órgãos de comunicação social – “Gostaria que vocês me fiscalizassem”, repetiu – e comprometeu-se a “agir com cautela para cumprir com as expectativas da população”: “O passado não posso mudar. Mas para o futuro vou exigir mais a mim própria”, reiterou.

 

 

Wong Sio Chak: “Soube do caso de indisciplina na PSP pelos media”

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Foi através dos meios de comunicação social que o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, teve conhecimento do episódio envolvendo agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) suspeitos de procrastinar durante o horário de expediente. O secretário diz que o caso está ainda sob investigação interna, da qual ainda está “à espera do resultado”, mas defende que “cada director tem a responsabilidade de assegurar a boa conduta da sua equipa”.

Durante as festividades do Ano Novo Lunar, em Fevereiro, a Polícia de Segurança Pública deparou-se, no âmbito de uma acção de fiscalização interna, com 19 casos de ausência de agentes a quem tinham sido consignadas acções de patrulhamento. Os responsáveis da corporação examinaram gravações das câmaras de videovigilância no período em questão e descobriram que um total de 130 agentes tinha ignorado ordens e permanecido na esquadra em vez de conduzir as devidas acções de patrulhamento:

“Não me preocupo com esta questão porque a maior parte dos agentes cumpre”, garante Wong Sio Chak.

 

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