A luz e a narrativa poética de José Drummond no Sovereign Asian Art Prize 2017

Um dos prémios mais conceituados do continente asiático volta a apresentar  na sua lista de nomeados um representante de Macau. José Drummond, artista português radicado no território, é pela terceira vez candidato ao Sovereign Asian Art Prize. O anúncio dos finalistas realiza-se em Janeiro do próximo ano.

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Três trabalhos de três séries nos quais a luz é um elemento transversal e dá sentido a conceitos como morte, desassossego, perda ou solidão. As fotografias são de José Drummond  e voltaram a catapultar o artista português radicado em Macau para a lista de nomeados ao “prémio mais importante de Hong Kong e um dos mais importantes da região”, o Sovereign Asian Art Prize.

“Estar nomeado é óptimo. Eu não encaro os prémios como exemplificativo de todo o trabalho que os artistas e os críticos fazem. No entanto, é uma prova de reconhecimento”, disse José Drummond ao PONTO FINAL. “É gratificante voltar a ser nomeado para este prémio que, apesar de tudo, é um prémio ainda recente. Eu penso que tem 12 ou 13 anos e já é a minha terceira nomeação, portanto há uma consequência também nesse ponto que é gratificante. É algum reconhecimento pelo trabalho que tenho vindo a fazer”, acrescentou o artista.

As obras de José Drummond foram seleccionadas por um painel de jurados constituído por especialistas de arte independentes e profissionais da indústria da região: “São trabalhos de três séries diferentes mas que têm um elo comum que é o facto das fotografias serem todas tiradas à noite. Os meus trabalhos têm sempre uma lógica, uma narrativa poética, que os envolve. E um pouco de temas como o desencanto, a perda e a solidão”.

A formação clássica de Drummond é em pintura, mas o artista assume uma forte ligação ao teatro e às artes de palco: “Uma das coisas que tem sido uma constante no meu trabalho é alguma ligação ao teatro, embora a minha formação clássica tenha sido pintura. Eu quando era muito novo também fiz teatro, talvez por isso agora esse interesse se note mais. Estes três trabalhos têm a ver com esta lógica, daí eu estar a usar caixas de luz porque tem a ver com a lógica da condição da luz”, explica. A relação da luz da noite, a relação que a luz tem dentro do teatro, que a luz tem para a fotografia, que a luz tem para o cinema… Todas estas relações do ‘media’ em si são comuns aos três trabalhos”, esclareceu José Drummond.

Na série “Think Of The Saddest Thing In Your Life”, Drummond foi buscar inspiração a um lago: “Tem uma qualidade pictórica diferente da dos outros, alguma abstracção, até. São fotografias tiradas num lago, no qual usei uma luz especial para conseguir aqueles tons. (…) Tem a ver exactamente com esta relação do azul enquanto luz que fala sobre a tristeza”, explicou o artista.

Noutra das séries distinguidas, Drummond procura elevar a deambulação pelas ruas, utilizando Zhuhai e Macau como espaço: “Tem a ver com a ausência do outro”, disse o artista ao PONTO FINAL. “No caso específico desta fotografia, é uma coisa que me tem interessado também já há alguns anos, mas que é mais objectivo nesta série [All Those Moments At Night When You’re Not With Me]: como representar pessoas que estão desagregadas da sociedade, seja mendigos, pessoas que coleccionam coisas e que são sempre um bocado vistos de lado pela sociedade. Esta fotografia é a casa de uma dessas pessoas que colecciona. (…) É uma casa em Macau e esta pessoa tem sido sujeito da minha – ‘vá lá’ – intromissão; do meu olhar de voyeur sobre a vida dele”, desvendou o artista plástico.

Dois ‘ravers’ num momento pós-festa em representação da morte. O terceiro trabalho fotográfico de José Drummond nomeado para o Sovereign Asian Art Prize e inserido na série “When My Hands Make Your Heads Spin”, “exemplifica bem o contrário da ideia habitual que se dá da festa como uma coisa divertida e de excessos, mas depois disso temos, em geral, este momento em que o tempo pára e nos aproximamos muito da morte.

O anúncio dos finalistas do Sovereign Asian Art Prize 2017  está agendado para Janeiro do próximo ano. Em Abril, os trabalhos serão expostos e para Maio está agendado um jantar de gala a realizar-se em Hong Kong, onde metade do valor resultante da venda da obra eleita reverte a favor da Sovereign Art Foundation. J.F.

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