2017: O ano do tudo por tudo para os democratas de Macau

Fragmentado, o campo pró-democrata pode vir a ser uma das grandes surpresas das eleições legislativas do próximo ano caso as gerações mais novas decidam acorrer às urnas. A análise é feita por vários académicos do território, que dizem que a agitação política em Hong Kong pode gerar um sentimento de simpatia para com os movimentos democratas do terreno.

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A estratégia do “fragmentado” campo democrata de Macau será o elemento “mais interessante” das legislativas de 2017, defendem académicos, que acreditam que o grupo pode aumentar o número de assentos no hemiciclo local se os jovens forem às urnas.

“Não vejo que vá haver grande mudança, mas acho que o mais interessante vão ser os democratas e como coordenam as eleições”, disse à Lusa o politólogo e investigador da Universidade de Macau Eilo Yu, que acredita que a agitação política em Hong Kong “pode gerar em Macau um sentimento de simpatia para com os democratas”.

Leung Ka Yin, do Instituto Politécnico de Macau, também não prevê “grandes mudanças” porque “Macau é muito estável”, mas acredita que se a “motivação” dos jovens eleitores for elevada “os democratas vão ganhar mais um ou dois assentos”.

“O campo pró-democrata vai conseguir três a quatro assentos. Podem conseguir um resultado melhor graças às novas gerações, mas no geral não vai mudar nada porque Macau é muito conservadora”, defendeu, por seu turno, o académico de Hong Kong Sonny Lo, autor do livro “Political Change in Macao”.

A Assembleia Legislativa de Macau tem 33 deputados, 14 dos quais eleitos directamente pela população. Doze são eleitos pela “via indirecta”, através de associações, e sete são nomeados pelo chefe do Governo. Macau não tem partidos, com as forças políticas a organizarem-se em associações.

Entre os deputados eleitos por sufrágio universal, há actualmente dois apelidados de pró-democratas, apoiados pela Associação Novo Macau (ANM), e cujo principal ‘cavalo de batalha’ é a implementação de um sistema ‘um homem, um voto’ para a escolha do Governo. Há, no entanto, outros deputados que apoiam a democracia, como José Pereira Coutinho e o colega Leong Veng Chai.

Os pró-democratas são representados por Ng Kuok Cheong e Au Kam San, ambos com 59 anos, que nas legislativas de 2013 perderam o terceiro deputado, Paul Chan Wai Chi. Nesse ano, o então presidente da Associação Novo Macau, Jason Chao, concorreu numa lista em separado mas perdeu.

A estratégia falhada de divisão das listas foi o primeiro grande sinal de uma cisão dentro da associação: os mais jovens, responsáveis pela direção, mostraram-se, desde então, cada vez mais adeptos da confrontação, com muitas acções de rua, e dedicaram-se a novas causas, como os direitos dos homossexuais.

Em Fevereiro desde ano, Au Kam San deixou a Associação Novo Macau e juntou-se à Iniciativa para o Desenvolvimento da Comunidade de Macau, onde também está Ng Kuok Cheong, que se mantém, no entanto, nas duas associações: “Se Au Kam San vencer nas próximas eleições estou bastante certo que não estará a representar a ANM. Depois há Ng Kuok Cheong, que está numa situação embaraçosa, está a tentar coordenar a Associação Novo Macau e a Iniciativa para o Desenvolvimento da Comunidade. Vai representar a nova associação ou a antiga? E os jovens democratas? Vão ter dois candidatos ou só um? A cooperação dentro do campo democrático será um tema muito importante nas próximas eleições”, afirmou Eilo Yu.

O novo presidente da ANM, Scott Chiang, não quis ainda dizer qual será a estratégia eleitoral para 2017, garantido apenas que a associação vai avançar com alguém. Já Ng Kuok Cheong, deputado desde 1992, assegurou à agência Lusa que se vai recandidatar, mas não revelou com que associação: “Sim, vou candidatar-me. A minha saúde está boa, de acordo com o meu médico”, disse. E o colega Au Kam San? “Claro! Ainda é mais forte do que eu”, gracejou.

Quanto às associações, o veterano deputado disse apenas que “tudo está em aberto”: “O mundo está a mudar e tenho de me adaptar. Vou tentar representar os cidadãos e não estar isolado por uma associação”, respondeu.

Entre os jovens da Associação Novo Macau, Sulu Sou, que liderou em 2014 uma manifestação contra uma proposta de lei que previa regalias para titulares dos principais cargos da região, que reuniu 15 mil pessoas, é dado como o mais promissor: “Acho que Sulu tem mais probabilidade de liderar a lista. Tem uma imagem muito atractiva para os jovens, organizou várias campanhas contra a ‘lei das regalias’ em 2014 e agora está a fazer campanha sobre o exame unificado de acesso à universidade”, explicou Eilo Yu.

Opinião semelhante tem Leung Ka Yin: “Sulu Sou é a nova estrela da ANM, mas vai enfrentar dificuldades. Se não houver mudanças, idosos e pessoas de meia-idade serão os principais a votar. Se os jovens votarem, os jovens democratas terão mais probabilidades”.

Além da relação com os democratas “mais tradicionais”, Sonny Lo salienta a possibilidade de os jovens apresentarem duas listas lideradas, por exemplo, por Sulu Sou e Jason Chao. “A fragmentação no campo democrático será testada”, alerta.

 

 

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