N.º 80 da Rua das Estalagens reabriu para manter viva a memória de Sun Yat-sen

O Edifício N.º 80 da Rua das Estalagens,  que acolheu em tempos a farmácia de Sun Yat-sen abriu ontem ao público com existência renovada. O espaço acolhe uma casa-museu que recorda a passagem do “pai da China moderna” pelo território. A inauguração contou com uma visita guiada, conduzida pelo presidente do Instituto Cultural, Guilherme Ung Vai Meng.

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A Rua das Estalagens já conheceu muitas alterações em termos de ordenamento urbanístico, mas o Nº 80 resistiu à passagem do tempo e aos vários negócios que ali assentaram arraiais . Mais de cem anos depois do encerramento da chamada, Farmácia Sino-Ocidental – um espaço onde amadureceram e foram debatidas as ideias revolucionárias de Sun Yat-sen –  o Instituto Cultural (IC) decidiu adquiriu o edifício e iniciou um meticuloso processo de recuperação. O resultado: uma casa-museu que evoca a faceta revolucionária do fundador da República da China.

O N.º 80 da Rua das Estalagens encontra-se numa das mais antigas zonas comerciais da cidade. O prédio estreito, de dois andares, é um bom exemplar de um edifício comercial de estrutura tipicamente chinesa, em que o rés-do-chão servia como loja e os andares superiores acolhiam as fracções reservadas à habitação. Tais estruturas mereciam o nome de “Loja-casa” ou “Casa-bambu” porque, tendo apenas uma entrada à frente e uma pequena porta na traseira, o espaço pode ser atravessado por uma vara de bambu.

Por ter passado por um extenso período de abandono e ainda por diferentes usos e modificações – chegou a ser uma loja de tecidos – o telhado, as paredes e as fundações apresentavam um avançado estado de deterioração. O restauro não colocou em risco, ainda em si, a originalidade da estrutura:  “Há muito material original, toda a pedra, por exemplo, os tijolos antigos”, explicou Ung Vai Meng. “As paredes, as janelas, o ambiente, é 100 por cento original”, assegurou o presidente do Instituto Cultural.

Um membro do Departamento de Património Cultural do IC garantiu que a estrutura originária não foi alterada e que as técnicas de  restauração utilizadas foram escolhidas  tendo em conta o propósito de fazer com que o edifício permanecesse o mais fiel possível ao original.

Durante a empreitada de renovação do espaço, foram encontrados também vestígios das construções que ali estavam antes da chegada do “pai da China moderna”: peças em cerâmica (também presentes na exposição) produzidas para exportação e uma estrutura em granito, num nível abaixo das fundações originais, que terá sido o antigo cais da cidade estão entre as descobertas mais relevantes. Em exposição estão também alguns comprovativos de empréstimos do Hospital de Kiang Wu para a abertura da primeira farmácia Sino-Ocidental mas ali, na casa-museu, só estão expostas as réplicas dos documentos devido ao seu valor histórico. Por outro lado, não foram descobertos quaisquer documentos da actividade política de Sun Yat-sen, embora Ung Vai Meng tenha evocado o papel do espaço enquanto ninho de actividades revolucionárias.

Os trabalhos de recuperação prolongaram-se durante cerca de cinco anos e o edifício, a quem o Instituto Cultural assaca um incontornável valor histórico, serve agora o propósito de espaço para exposições: nos três pisos podem ser apreciados artefactos, vestígios arqueológicos e uma sala dedicada a Sun Yat-sen, à sua ligação ao território e ao movimento revolucionário que em parte teve a sua génese em Macau.

Aos jornalistas, Guilherme Ung Vai Meng explicou: “Esta casa é importantíssima porque Sun Yat-sen mudou a China inteira e foi aqui que teve início a sua actividade revolucionária.”

O primeiro Presidente Provisório da República China teve um papel fundamental no derrube da última dinastia da China – a Dinastia Qing – e o Edifício N.º 80 da Rua das Estalagens marcou o início do movimento revolucionário instigado por Sun: “Trabalhou no Hospital Kiang Wu como voluntário, depois arranjou esta farmácia para continuar a tratar os doentes pobres, sem cobrar pagamento. Na mesma altura, começaram a despontar na sua cabeça os ideais revolucionários porque Macau é um sítio em que se encontram muitas ideias novas”, contou Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural. J.F.

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