Shanker Raman, o realizador que quer mostrar que há cinema além de Bollywood

“Gurgaon” é um filme recheado de anti-heróis, que quer quebrar as convenções estabelecidas na Índia, onde o formato de Bollywood prevalece.  A primeira longa-metragem do indiano Shanker Raman pretende ser uma pedrada no charco, num panorama cinematográfico indiano muito convencional. O filme teve a sua estreia mundial em Macau e é um dos 12 filmes em competição no 1º Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios de Macau, que encerra hoje.

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Cláudia Aranda

 

“Gurgaon” é a primeira longa-metragem do realizador indiano Shanker Raman e introduz uma linguagem nova e muito pouco convencional na cinematografia indiana, dominada pelas narrativas musicais de Bollywood. “Gurgaon” é um dos 12 filmes em competição no 1.º Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios de Macau, que hoje encerra com a cerimónia de gala e anúncio dos vencedores no Centro Cultural de Macau.

“É preciso muita coragem para fazer um filme como este, negro, em que não há heróis, falado em Hindi e não em inglês, que tenta olhar para a Índia de hoje, para uma cidade nova, que é urbanizada de forma demasiado rápida, ocupando campos agrícolas para se transformar numa densa metrópole de cimento. É um contexto muito interessante, mas muito diferente no tom e estilo”, referiu a consultora de programação do festival, Deepti D’Cunha, na conferência de imprensa que teve lugar no dia da estreia mundial, em Macau.

“Gurgaon” conta a história de um lavrador a quem dizem que a sua sorte mudará se adoptar uma menina. Uma bebé é trazida para casa, a quem é dado o nome de Preet. O agricultor torna-se um magnata da indústria imobiliária, mas os filhos rapazes sentem-se rejeitados e vão virar-se contra tudo e contra todos.

O guião surgiu de um pedido feito há cinco anos ao realizador Shanker Raman, que o concluiu com outros três guionistas: “Comecei a escrever porque o meu produtor me pediu para criar um thriller para uma audiência mais ‘mainstream’, eu pessoalmente fiquei muito entusiasmado, tinha ali uma oportunidade de alterar a forma como o cinema ‘mainstream’ é feito na Índia e explorar outros aspectos da linguagem cinemática. O que me interessava era este sentimento de alienação existencial dos seres-humanos, à procura de conforto e estabilidade. Eu próprio me interrogava sobre essas questões pois estava à beira de me tornar pai, estava preocupado com o futuro. Isso trouxe-me para esta questão, que é: vivemos na sociedade em que vivemos, que por alguma razão não funciona exactamente da maneira como queremos. Resolvi pegar numa cidade nova, como Gurgaon, e explorar as relações familiares, a natureza dessas relações naquele contexto urbano”, descreveu o realizador e guionista.

No final, foi esta narrativa pouco convencional – à qual faltavam os ingredientes comuns de sucesso na Índia, como a música, as canções, as danças – que atraiu o interesse dos produtores. Há cerca de um ano “Gurgaon” conquistou em Goa o Prémio DI Prasad, no âmbito do Film Bazaar, para o Melhor Filme ainda em desenvolvimento.

Shanker Raman quis que esta história fosse uma “tragédia” com as proporções de um drama Shakespeariano, explorando o lado negro do ser humano, sem fazer desenhar uma linha muito clara entre o bem e o mal: “O que nos faz humanamente únicos é esta possibilidade de fazer escolhas, que são reprimidas, mas há muitas opções que as pessoas fazem que não são apropriadas, estava interessado em permitir aos personagens experienciarem as consequências das opções extremas que tomaram”.

O actor Akshay Oberoi também ele arrisca neste filme, na opinião de Deepti D’Cunha. Ele poderia ter optado por ser um galã romântico que seduz a donzela. Mas, ele escolheu ser o bonitão execrável. Para Akshay Oberoi é uma obrigação dos jovens actores quebrar convenções: “Temos a responsabilidade de impulsionar o cinema e fazer cinema realmente diferente, penso que estamos no bom caminho, esta é uma altura boa para este tipo de cinema”, defendeu.

A protagonista Ragini Khanna, actriz e bailarina bem sucedida no cinema e na televisão, também surge despida de artifícios e sem maquilhagem. Disse ter ter sido atraída pela ousadia do argumento: “Por vezes, queremos associar-nos a pessoas e a projectos e filmes que nos ajuda como pessoas, as minhas escolhas enquanto actriz têm a ver com o desejo de me surpreender e desafiar a mim própria, por isso, estou muito agradecida por ter sido escolhida por Shanker Raman”.

 

 

 

 

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