Ho Chio Meng usou uma casa para guardar objectos pessoais sem pagar renda

O Ministério Público defende que o ex-Procurador alugou a casa em questão  entre 2006 e 2014 para fins pessoais, apesar de ter sido o organismo a pagar as contas. Depois do fim do contrato e de ter deixado de ser Procurador, Ho Chio Meng continuou a utilizar o espaço sem pagar renda.

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João Santos Filipe

O ex-Procurador utilizou durante um ano e quatro meses uma vivenda em Cheoc Van sem ter pago uma única vez aluguer. Esta é uma das principais alegações da acusação no julgamento de Ho Chio Meng, que é acusado de mais de 1500 crimes, para demonstrar que esta vivenda foi arrendada pelo Ministério Público para uso pessoal do antigo responsável pelo organismo.

Segundo a acusação, o Ministério Público arrendou entre 2006 e 2014 uma vivenda com um custo mensal de 46 mil patacas – que onerou numa despesa total de 5,1 milhões de patacas os cofres da RAEM –  para servir como “hospedagem” de visitantes. Porém, a acusação acredita que esta habitação foi utilizada por Ho Chio Meng, para fins pessoais.

Após ter deixado de ser Procurador, Ho Chio Meng continuou a ter acesso à vivenda e a utilizá-la como depósito para guardar alguns dos seus pertences pessoais, sem nunca ter pago a renda durante um ano e quatro meses. No total, o ex-Procurador evitou pagar um total de 570 mil patacas em rendas – que agora diz não ter dinheiro para pagar – durante 2015 e o início de 2016.

“Eu acho que o proprietário sabia quem eu era, mas por respeito, e para não me fazer perder a cara, deixou-me continuar a utilizar a casa”, afirmou Ho Chio Meng, ontem, durante a segunda sessão do julgamento.

“O proprietário respeitava a posição de Procurador e também teve em conta o facto de ter havido um arrendamento com a duração de 10 anos e alguns milhões”, acrescentou.

O Ministério Público defende que já entre 2006 e 2014 a casa em Cheoc Van foi utilizada pelo ex-Procurador para fins pessoais, o que constitui 9 crimes de burla qualificada de valor consideravelmente elevado ou 9 crimes de abuso de poder, o que ainda não está decidido.

Ho Chio Meng contesta a acusação e diz que utilizou a casa por questões de segurança e para receber oficiais, nomeadamente ligados às forças de segurança do Interior da China que não queriam ser filmados por câmaras de CCTV.

Sobre o facto do contrato para o arrendamento da casa não ter sido renovado, Ho Chio Meng explicou que cometeu “um erro” por não ter informado o sucessor Ip Son Sang sobre a vivenda e não ter organizado “um barbecue” para os delegados do Procurador.

Ho Chio Meng afirmou ainda durante o decorrer da sessão de ontem que este é “uma caso de vida ou de morte” e que sempre que está acordado na prisão está a ler o processo. Foi esta a forma utilizada pelo arguido para se defender das declarações de Sam Hou Fai, que questionou as anteriores declarações do ex-Procurador, que tinha dito que não tinha tido tempo suficiente para ler o processo.

 

 

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