As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Às armas, às armas…

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Para um pai, ver um filho partir de casa para seguir o seu caminho custa sempre. K. estava preocupado, a imaginar em que encrencas o seu jovem rapaz se poderia meter quando finalmente se metesse por conta própria. O comerciante de 50 anos, oriundo de Taiwan, estava de passeio por Macau quando viu à venda num site chinês um aparelho que podia ajudar o filho a desenrascar-se de qualquer apuro: chama-se Strong Light Flashlight e parece uma lanterna, dá luz e tudo, mas na verdade é um taser, uma arma de autodefesa que desfere choques eléctricos capazes de neutralizar o maior dos marmanjos. Viu que ainda dava tempo de receber a encomenda antes de partir de regresso a casa e tratou de comprar o dispositivo através de um site de vendas, pelo preço de 60 yuan – 69,3 patacas – a unidade.

Foi essa a explicação que deu anteontem à equipa de segurança do Aeroporto Internacional de Macau que detectou na sua bagagem, pelo sistema de raios-x, nada menos do que cinco destas “lanternas mágicas”. Pouco depois, repetiu a mesma história aos agentes da Polícia de Segurança Pública, que o detiveram por posse de arma ilegal.

Curiosamente, no mesmo voo Macau-Taipé – aparentemente sem qualquer relação com este caso – preparava-se para embarcar J., um desempregado de 40 anos, que tinha estado em Macau a jogar golfe (alegadamente) e regressava a Taiwan levando, na mala dos seus tacos, um putter muito especial: na verdade, tratava-se de um bastão extensível, igualmente detectado pelos raios-x. J. explicou à polícia que tinha comprado a arma numa ida a Zhuhai, que apenas pretendia usá-la para autodefesa e que não fazia ideia de que se tratava de uma arma proibida em Macau, abrangida pelo decreto-lei 77/99/M, o diploma que regulamenta armas e munições.

Tanto K. como J. foram já ouvidos no Ministério Público pelo crime de porte de arma ilegal.

O exterminador de taxistas

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Na sua ainda curta carreira de taxista, o jovem F., de 20 e poucos anos, tem já pelo menos uma história bizarra para contar: às 15h de domingo, em plena luz do dia, ia a passar pela Rua de Pequim e parou para deixar entrar um homem, na casa dos 30 e tal anos, que queria ir para o Venetian. Ao chegar ao casino do Cotai, o cliente pediu que circulasse em marcha lenta, porque queria encontrar um amigo que devia andar por perto.

Levaram vários minutos naquilo e passaram diante de vários hotéis. Até que o homem mudou de ideias e disse: “Vamos voltar para o local onde me apanhou”. Estavam já a chegar, quando o cliente pediu que seguissem antes para o Hotel Lisboa, mas que se metessem por uma rua traseira em vez da entrada principal. Foi aí que, pelo espelho retrovisor, o taxista viu o homem a encolher-se no banco de trás. Desconfiado, F. recusou-se a entrar pela rua mais sombria e foi antes para a frente do hotel. Foi aí que, num ataque de fúria, o cliente se lançou sobre o motorista apertando-lhe o pescoço com um fio de telemóvel. F. defendeu-se, trancou as portas do carro e chamou a polícia. Pouco depois, os agentes da Polícia de Segurança Pública que ouviram o relato do taxista e a versão do cliente, que o contrariava, acusando o motorista de só querer fazer serviços para as Ilhas e não para onde queria ir. O taxímetro, no entanto, assinalava uma conta de centenas de patacas, confirmando a versão do taxista.

O esquema da quase-venda da casa

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Viciado em jogo, B. inventou um truque para conseguir empréstimos sem juros para ir saciar a sua veia batoteira. Colocava anúncios através de várias agências imobiliárias a tentar vender o seu apartamento. Recebia das pessoas interessadas o depósito do sinal, agarrava no dinheiro e ia divertir-se para o casino. Mais tarde, com os ganhos das apostas, devolvia o sinal à pessoas e explicava que já não estava interessado em vender a casa. Ficava com o lucro.

O golpe parecia infalível e executou-o pelo menos umas cinco vezes, chegando a realizar cerca de dois milhões de patacas, mas a equação não estava a ter em conta um factor que, nestas coisas de jogo, mais tarde ou mais cedo tende a manifestar-se: o factor azar. Um quase-comprador da sua casa tinha acabado de pagar 600 mil dólares de Hong Kong – 618 mil patacas – de sinal, quando soube que um outro indivíduo, através de outra agência, tinha dado uma entrada de 400 mil dólares de Hong Kong (412 mil patacas) pelo mesmo imóvel, pelo que resolveu fazer queixa à Polícia Judiciária.

B., de 24 anos, desempregado, foi detido e presente ao Ministério Público pelo crime de burla.

Loucura na varanda

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Uma gritaria infernal e uma chuva de lixo e garrafas sobre a calçada chamaram a atenção de C., que apenas tentava recolher o seu carro, que tinha deixado estacionado em frente àquele prédio, nas proximidades do Templo de A-Ma, no sábado. Quando começaram a cair também papéis votivos em chamas, ficou preocupado com o perigo que aquilo podia causar e tentou averiguar o que se passava ao certo. Numa das varandas do prédio, um indivíduo alucinado ateava fogo a uma toalha.

C. ligou imediatamente à polícia. Quando os bombeiros e os agentes da Polícia Judiciária chegaram ao local, encontraram o autor da confusão sentado na sua sala. Perto dele, instrumentos para consumo de drogas. Mostrou-se instável e tentou fugir. Mas a polícia deteve o indivíduo, um desempregado de 48 anos, que já tinha cadastro por desvarios semelhantes. Foi encaminhado para o Ministério Público e teve de responder pelo crime de fogo posto.

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