Investidores do Pearl Horizon suspendem pagamentos à banca

Fartos do que dizem ser “as tretas” de Raimundo do Rosário, os proprietários do Pearl Horizon anunciaram ontem a suspensão dos empréstimos contraídos junto dos bancos do território. A medida, diz Kou Meng Pok, deverá vigorar enquanto Governo e Polytec não chegarem a um acordo para a resolução do diferendo.

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Elisa Gao

A Associação dos Proprietários do Pearl Horizon anunciou ontem, em conferência de imprensa, que mais de três centenas de investidores lesados pelo imbróglio político em que o empreendimento residencial se encontra envolvido decidiram suspender o pagamento dos empréstimos bancários que contraíram para adquirir as fracções.

Em declarações prestadas ao PONTO FINAL por via telefónica, o presidente da Associação, Kou Meng Pok, diz que os proprietários lesados tencionam reatar os pagamentos assim que o Governo e o grupo Polytec tiverem resolvido o contencioso jurídico que mantêm em tribunal: “A resposta do Governo deixou-nos cada vez mais desiludidos e os bancos devem estar connosco e ajudar-nos a ultrapassar esta fase”, exortou o dirigente.

“Temos vindo a pagar os empréstimos bancários desde que o período de aproveitamento do terreno terminou, há um ano. Durante um ano pagamos por uma miragem. O Sr. Raimundo do Rosário continua a brindar-nos com tretas e sentimos que estamos num beco sem saída. Por alma de quem é que devemos continuar a pagar?”, questiona Kou Meng Pok.

O presidente da Associação dos Proprietários do Pearl Horizon sustenta, no entanto, que os investidores que suspenderam o pagamento à banca tencionam cumprir com as obrigações contraídas assim que sentirem que o diferendo em que estão envolvidos tem uma solução à vista.

“Tenhamos três meses, cinco meses ou mesmo um ano em atraso, tencionamos cumprir com as nossas obrigações, assim que nos seja concedida uma resposta definitiva”, garantiu Kou.

O dirigente associativo sugere que um primeiro passo para a resolução do diferente pode passar por uma reunião trilateral entre o Governo, a direcção do Grupo Polytec e os representantes dos investidores lesados.

O deputado Si Ka Lon também esteve presente na conferência de imprensa de ontem, tendo instado a empresa de Hong Kong a promover canais de diálogo entre os investidores, o Governo e a banca, de acordo com as informações divulgadas pela emissora em língua chinesa da Rádio Macau.

Apesar de terem tornado ontem pública a decisão de suspender o pagamento dos empréstimos contraídos, os proprietários do Pearl Horizon só hoje ou amanhã deverão notificar as entidades bancárias envolvidas.  Kou Meng Pok reconhece que a decisão pode confrontar os investidores com problemas com a justiça, mas lembra que os bancos também são parte interessada no processo, uma vez que a maior parte das hipotecas recaem sobre as próprias fracções do Pearl Horizon.

Ao longo dos últimos dois dias, foram vários os deputados que se mostraram preocupados com o desenlace do caso Pearl Horizon. Melinda Chan, Au Kam San e Zheng Anting foram alguns dos parlamentares que abordaram a questão no hemiciclo. Raimundo do Rosário clarificou algumas das questões que foram colocadas, lembrando que nunca afirmou que o lote seria de novo sujeito a concurso público, nem tão pouco que o Governo poderá vir a criar condições especiais para que as fracções possam vir a ser readquiridas pelos investidores.

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