Dragões Escondidos: Um olhar sobre a nova cinematografia asiática

Não integram a competição oficial do Festival Internacional de Cinema, mas deverão fazer as delícias dos cinéfilos do território. As nove propostas da secção “Hidden Dragons” propõem uma viagem de descoberta por algum dos melhor cinema asiático da actualidade. Mas não só.

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É um dos segredos mais bem guardados da edição inaugural do Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios de Macau. Os doze filmes que integram a selecção oficial do certame e se apresentam no território em competição perfilam-se como o grande atractivo do evento, mas para os cinéfilos do território, a secção “Hidden Dragons” é aquela que propõe provavelmente as maiores recompensas em termos de novas cinematografias.

Quando o Festival foi apresentado, a organização do certame propunha-se dedicar um espaço próprio às tendências mais recentes do cinema asiático, com a projecção de seis películas com pouca itinerância fora dos espaços onde foram originalmente concebidas. De uma forma muito apropriada, a organização da 1.a edição do Festival Internacional de Cinema de Macau decidiu dar o nome de “Hidden Dragons” (Dragões Escondidos) ao projecto de utilizar o território como plataforma de divulgação de projectos da autoria de realizadores de países tão distintos como as Filipinas, o Japão ou o Vietname.

Depois, quando o programa do Festival foi originalmente anunciado, foram poucos os que não repararam que o plano inaugural de projecções se havia alterado: ao invés dos seis filmes inicialmente previstos serão projectados nove, mas o critério da produção asiática deixou de ser o elemento definidor da secção. O projecto passou a abarcar também produções do Reino Unido, da Argentina e de Espanha, entre outros, sendo que os nove filmes têm uma única característica em comum: nunca foram projectados nem em salas de cinema de Macau, nem em salas de cinema da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong. A estes junta-se “Our Seventeen”, a última produção da cineasta local Emily Chan.

Entre as propostas mais aliciantes em cartaz no âmbito da secção “Dragões Escondidos” estão a produção japonesa “Antiporno”,  uma longa metragem assinada por Sono Sion que tem no Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios de Macau a sua estreia asiática.

Fiel ao seu próprio entendimento da sétima arte, Sono Sion volta a puxar as fronteiras da moral, num país que se ajudou a promover como um bastião de conservadorismo. A exemplo do que sucede em “Strange Circus”, de 2005 e em “Guilty Romance”, Sion Sono volta a explorar o universo da sexualidade, num filme que não é definitivamente para todos. Sexualmente conotado, “Antiporno” não banaliza o sexo, mas esvazia-o por completo de sentido, num narrativa minimalista, mas provocadora: o mais antigo estúdio cinematográfico do Japão pede a alguns veteranos da indústria porno do Japão que reinventem algumas das produções que os tornaram notáveis como resposta a dois fenómenos, o do seu próprio envelhecimento e o do envelhecimento progressivo da sociedade japonesa.

Com estreia prevista para o final do próximo mês, “Antiporno” já foi exibido em Outubro em Montreal, no Canadá, no âmbito do Festival do Nouveau Cinema e prefigura-se como uma das propostas mais ousadas da edição inaugural do Festival Internacional de Cinema de Macau.

Menos provocador, mas igualmente aliciante, “Seclusion”, do realizador filipino Erik Matti tem no território a sua estreia mundial. O argumento do filme, uma proposta de terror que explora a prevalência da religião católica no arquipélago, acompanha as experiências de um grupo de jovens reunidos num retiro espiritual nos dias que antecedem o seu processo de ordenação como sacerdotes católicos, o momento em que alegadamente estarão mais vulneráveis a ataques por parte das forças do mal.

Do Vietname, mas produzido com dinheiro sul-coreano, chega uma outra proposta no género dos filmes de terror. Realizado por Derek Nguyen, “The Housemaid” – que tem em Macau a sua estreia internacional – conta a história de um órfã vietnamita que é contratada para servir na casa do martirizado proprietário de uma plantação de borracha na Indochina francesa nos meses que antecederam o fim da presença francesa na região. Inadvertidamente, a rapariga acaba por se apaixonar pelo patrão francês, num gesto que desperta o ciúme da mulher do protagonista … recentemente falecida. Uma paixão aparentemente inócua acaba por despertar um verdadeiro banho de sangue, num Vietname às portas da independência.

Para além das quatro propostas asiáticas, integram o cartaz da secção “Hidden Dragon” os filmes “1974” (Argentina), “Daguerrotype” (produção franco-belgo-japonesa), Terror 5 (Argentina), o futurista “The Girl With All the Gifts” (Reino Unido) e “Toro”, uma produção espanhola realizada por Kike Maíllo.

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