Comissão de Talentos identifica critérios de recrutamento nos principais sectores de actividade

 

A Comissão de Desenvolvimento de Talentos analisou as necessidades laborais de cinco sectores económicos, para estender à população informação detalhada sobre o quadro de oferta e procura existente nestas indústrias. Entretanto, foram celebrados acordos com duas universidades portuguesas. Os memorandos visam apoiar os residentes no prolongamento dos estudos naquelas instituições de ensino.

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Sílvia Gonçalves

A Comissão de Desenvolvimento de Talentos fez um estudo das necessidades e requisitos dos empregadores de cinco sectores da indústria local, tendo concluído que existe uma escassez de profissionais nas posições ocupadas por médios e altos quadros das empresas. Com o relatório, ontem apresentado na 2.ª reunião ordinária do organismo conduzida no presente ano, a comissão pretende que a população tenha um conhecimento detalhado da procura e oferta existente no mercado de trabalho. O intuito é incentivar a formação contínua dos trabalhadores locais, nomeadamente dos mais qualificados. Para tal, um dos três grupos especializados da comissão assinou já um acordo com a Universidade de Coimbra, para atribuir bolsas a quadros bilingues de Macau que pretendam efectuar uma pós-graduação naquela instituição. Na recta final está a assinatura de um acordo com a Universidade Nova de Lisboa, que permitirá a trabalhadores na área da gestão efectuar um “Masters in Business Administration” que a Nova desenvolve em parceria com uma universidade norte-americana.

“Estamos a falar de quais os requisitos e quais são os talentos de que os empregadores estão à procura, quais as habilitações de que eles necessitam. Com esse relatório nós pretendemos revelar essas informações junto da população, para que os nossos residentes conheçam as informações mais actuais da procura e oferta do mercado”, explicou ontem à imprensa Sou Chio Fai, depois de uma reunião que decorreu à porta fechada.

O secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos justificou o trabalho de análise do mercado laboral com o propósito de incentivar a formação, mesmo dos quadros mais qualificados: “Agora fizemos um estudo sobre os requisitos dos empregadores. No futuro iremos saber se os residentes de Macau têm esses requisitos para satisfazer as necessidades dos empregadores. Gostaríamos de aproveitar estas medidas para incentivar a formação dos residentes mais qualificados”.

Os cinco sectores da indústria analisados incluem “o jogo, a hotelaria, a venda a retalho, a restauração e também o sector de exposições, o MICE”. Todos eles revelam escassez de postos de trabalho, nomeadamente ao nível de médios e altos cargos, assinalou Sou Chio Fai: “De facto, nestes cinco sectores económicos, quase todos os lugares têm necessidades. O objectivo da comissão é encorajar ou criar condições para que os residentes de Macau possam subir, possam fazer uma rotação. Falamos com os directores dos departamentos de recursos humanos para saber quais são os perfis, quais os critérios e qualificações para que as pessoas possam assumir estes cargos”, salienta.

Numa segunda fase, explicou Sou Chio Fai, a comissão vai ainda debruçar-se sobre os sectores da construção civil, da banca e dos seguros.

O grupo especializado do programa da formação de talentos – um dos três que integram a comissão – celebrou recentemente um acordo com a Universidade de Coimbra, que visa potenciar a formação de quadros bilingues, anunciou ontem Sou Chio Fai: “Um dos objectivos da comissão de desenvolvimento de talentos é para formar os quadros de Macau, especialmente quadros bilingues com alguma especialização. Nós estamos a trabalhar muito, o Governo, a formar tradutores-intérpretes, mas isto não chega, precisamos também de alguns técnicos superiores que tenham determinada especialização, que têm uma profissão mas que sabem falar chinês e português. Por isso a Comissão celebrou um acordo com a Universidade de Coimbra, para dar bolsas de estudo aos residentes de Macau, para fazer um curso de pós-graduação na Universidade de Coimbra”.

Um outro acordo foi estabelecido com uma das universidades públicas de Lisboa, que visa aprofundar a formação de quem já exerce funções no universo da gestão: “Celebramos também um acordo com a Universidade Nova de Lisboa, não só para alunos, este é também para trabalhadores na área da gestão. Podem fazer o Lisboa MBA, um programa conjunto entre a Nova, a Universidade Católica e o MIT, dos Estados Unidos”. O acordo prevê a comparticipação “parte dos custos” de quem optar por avançar para essa especialização, mas que ainda falta finalizar: “Estamos a ouvir ainda opiniões da Fundação Macau, porque é um acordo em que precisamos do aval da fundação. Estamos para assinar”, assumiu o responsável.

Na reunião de ontem foi ainda decidido o lançamento de um programa de incentivo à formação de quadros qualificados: “A gente vai subsidiar os residentes de Macau para fazerem exames ou cursos para ficarem ao nível dos quadros qualificados”. O projecto-piloto, ainda sem um montante definido, deverá arrancar no próximo ano, adiantou Sou Chio Fai: “Em 2017, com certeza”.

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