Livro passa a pente fino a imprensa que sobreviveu e se reinventou

Lançada em Coimbra no mês passado, a obra “15 Anos Depois: A Imprensa Portuguesa de Macau (1999-2014)” é apresentada hoje na Fundação Rui Cunha (18h30). O PONTO FINAL falou ontem com João Figueira, que coordenou um trabalho de análise de vários jornalistas locais sobre um período em que os jornais em português souberam sobreviver e reinventar-se.

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Rodrigo de Matos

Estão condenados. Era assim que muitos viam o futuro dos jornais e da imprensa em português e da própria liberdade de imprensa no território, nos dias que anteciparam a transferência da administração do território entre Portugal e a República Popular da Cina. Quinze anos volvidos, três jornais diários e dois semanários vão garantindo uma pluralidade e independência de informação que superam as previsões mais optimistas aquando da criação da RAEM. O livro “15 Anos Depois: A Imprensa Portuguesa de Macau (1999-2014)”, coordenado pelo jornalista e professor João Figueira, lança um olhar sobre esse período e é hoje apresentado no território, numa sessão que decorre na Fundação Rui Cunha.

“O leitor pode encontrar um olhar sobre os primeiros 15 anos da imprensa em língua portuguesa de Macau após a transição, a partir de diversas perspectivas”, adiantou João Figueira, ontem em conversa com o PONTO FINAL. No primeiro capítulo, é apresentado um olhar sobre a transferência de poderes, que resume o que a imprensa tratou justamente no último mês antes da devolução de Macau para a administração chinesa e em que é notório um prognóstico pessimista que os jornais assumiam acerca da liberdade de imprensa e da sua própria sobrevivência e que a realidade, como nota Figueira, acabaria por vir desmentir.

No livro, é traçado um panorama de diversidade editorial que existe hoje em Macau e de como ela foi sendo construída e cimentada ao longo dos últimos 15 anos, em capítulos como “Os jornais e a sua circunstância”, “A informação na primeira página”, o “Eldorado dos jovens jornalistas” ou “A liberdade de imprensa e o direito à informação no ordenamento jurídico de Macau”. Há ainda um capítulo chamado “Olhares cruzados sobre a Imprensa”, que transcreve uma mesa-redonda em que participaram alguns dos directores e responsáveis de órgãos de comunicação social do território, os jornalistas Carlos Morais José, José Miguel Encarnação, Emanuel Graça, Gilberto Lopes e Ricardo Pinto.

“É interessante olharmos para a forma como os protagonistas da produção noticiosa da imprensa local olham para tudo isto. O debate serviu para percebermos como a problemática é complexa”, resume João Figueira, assinalando as dificuldades inerentes à tarefa de escrever um livro sobre a história “no momento em que ela ainda está a acontecer”.

 

Uma obra feita por várias mãos

 

O trabalho coordenado por Figueira, que também é co-autor, conta com a participação de jornalistas que exercem a profissão em Macau, nomeadamente José Carlos Matias, Diana do Mar, Sónia Nunes e Marco Carvalho, além do jurista Frederico Rato, responsável pelo capítulo centrado na questão jurídica. A obra conta ainda com um prefácio de Adelino Gomes.

Mais do que impor conclusões, o livro “levanta questões e produz observações”, considera o seu coordenador, referindo que irá servir para quem queira conhecer melhor esta realidade: “Será um ponto de apoio e reflexão sobre uma realidade que está longe de ser plana” e que irá interessar “desde logo quem goste de saber mais sobre questões ligadas aos média em língua portuguesa”, observa João Figueira, enumerando estudantes e jovens investigadores da área do jornalismo e comunicação.

“Mais do que ser a história destes 15 anos, o que este livro vem é sinalizar a riqueza e diversidade deste período, para que outras abordagens possam ser encetadas, nomeadamente, a título de exemplo, nos meios que este nosso livro não cobre: a rádio e a televisão”, sugere.

 

Liberdade de imprensa esteve em discussão no Clube Militar

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João Figueira foi, de resto, um dos intervenientes do jantar-debate “Imprensa Portuguesa: Protagonismo e Futuro”, que se realizou na sexta-feira ao final da tarde no Clube Militar.

O certame, da iniciativa do PONTO FINAL, teve ainda como oradores José Carlos Matias, jornalista e dirigente da Associação de Imprensa em Língua Portuguesa e Inglesa de Macau, e José Manuel Simões, coordenador do Departamento de Comunicação e Media da Universidade de São José, que deverá apresentar a 19 de Janeiro uma outra obra de análise à realidade e às circunstâncias actuais da imprensa em língua portuguesa de Macau.

No debate foram abordadas questões como a liberdade de imprensa na RAEM, as contingências com que se deparam os meios de comunicação do território, bem como os eventuais desafios ao exercício da profissão durante os anos vindouros.

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