Crónica de um tiro no pé. Luaty Beirão apresentou livro em Lisboa

Luaty Beirão está em Lisboa para apresentar um livro que escreveu ao longo de 13 dias de cárcere. O músico e activista angolano diz que o Governo de Luanda deu um “tiro no pé” ao manter sob detenção o grupo de jovens activistas angolanos do qual fazia parte. O regime angolano, diz, não esperava que o caso tivesse uma repercussão global.

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O activista luso-angolano Luaty Beirão considera que a detenção de um grupo de activistas angolanos – do qual fazia parte – durante um ano foi “um tiro no pé” das autoridades de Luanda porque teve repercussão global.

“Nós apercebemo-nos, assim que fomos detidos e que aquilo era para durar algum tempo, que o regime no fundo estava a dar mais um tiro no pé”, disse Luaty Beirão, em entrevista à agência Lusa.

“No fundo é estranho que eles próprios não se apercebam disso, ou se se apercebem, o orgulho deles é maior que a capacidade de raciocínio”, resume o activista, que se mostrou surpreendido com a visibilidade do caso.

No entender de Luaty Beirão, no momento da detenção, em Junho de 2015, o grupo apercebeu-se que o caso “haveria de fazer algumas ondas”, mas nunca pensaram “que fossem ‘tsunamis’”, afirma. O activista defende que essa visibilidade foi útil para aquilo que defendem: “Nós vivemos num pais onde existe uma máscara, existe uma fachada de democracia, que está formalizada com a Constituição e as leis ordinárias, mas na prática não se vive”.

A detenção e condenação dos activistas permitiu “dar provas e evidências” disso mesmo, diz Luaty Beirão, que considera a acção do grupo um “pequeno passo” para ajudar à liberdade no país: “Queremos que os direitos sejam usufruídos e a partir do momento em que isso começar a acontecer, as mecânicas vão mudar e as coisas irão ajustando-se aos poucos”, defende. Beirão rejeita, ainda assim, que a cidadania esteja circunscrita à acção pelos partidos políticos: “Sempre fui muito desconfiado em relação à política como ciência e aos políticos que fazem da política profissão”, justifica o luso-angolano.

Em Lisboa, onde está a promover o seu livro “Sou eu mais livre, então. Diário de um preso político angolano”, Luaty Beirão mostra-se empenhado na luta contra o regime angolano.

A obra é um relato “sincero” do que viveu durante 13 dias de prisão, exactamente como foi escrito na origem, com desenhos, letras de música, listas de pedidos aos guardas ou outros pensamentos mais avulsos: “Quando estava a escrever o diário não estava a pensar que isto ia ser um livro, transcrevi o que estava no caderno tal e qual”, mas foi “critério da editora” [Tinta da China] manter o original, explica.

Escritor e músico, Luaty Beirão ainda não fez uma música que evoque a experiência da prisão: “Tenho coisas pensadas, mas não fiz nada”, diz.

 

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