Casas de Macau devem ser vistas como representações da RAEM fora de portas, sugere Jorge Rangel

 

O presidente do Instituto Internacional de Macau defendeu ontem que o Governo não está a tirar proveito da presença das Casas de Macau na diáspora. Entende Jorge Rangel que o Executivo deveria encarar estas estruturas como representações não oficiais da RAEM no estrangeiro, que podem contribuir de forma efectiva para a promoção do território.

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Sílvia Gonçalves

Memória, identidade, herança. Os conceitos trespassaram a sessão cultural que ontem decorreu no Centro de Ciência, promovida pelo Instituto Internacional de Macau (IIM) e integrada no programa do Encontro das Comunidades Macaenses. Após a sessão, Jorge Rangel defendeu, em declarações à imprensa, que o Governo não tira o devido proveito da presença das Casas de Macau espalhadas pelo globo. O presidente do IIM entende que o Executivo deveria olhar para estes organismos como representações não oficiais de Macau no estrangeiro, que podem contribuir para a promoção do território fora de portas. Rangel acredita que deveria existir uma nova abordagem junto de entidades como a Direcção dos Serviços de Turismo ou o Instituto Cultural, de modo a potenciar uma relação permanente das Casas com as instituições locais.

“As casas de Macau foram uma criação muito importante, porque elas permitiram que existissem centros aglutinadores da comunidade, e, ao mesmo tempo, estão permanentemente ao serviço de Macau. Macau é que não tira proveito da presença das Casas”, acusa Rangel. “O Governo devia olhar para as Casas como representações não oficiais de Macau no estrangeiro, porque ali está gente muito qualificada”, defendeu o presidente do Instituto Internacional de Macau, ontem, após uma sessão cultural que encaixou várias intervenções e se estendeu ao longo de toda a manhã.

O dirigente deixou exemplos das vantagens que se podem retirar de uma aproximação entre o território e a diáspora macaense: “O Governo podia tirar muito mais proveito da existência destas casas, porque são estruturas permanentes que podiam colaborar em feiras internacionais, na área comercial, de turismo, na promoção de Macau nas mais variadas vertentes. E até em colaboração com iniciativas que o Governo de Macau queira fazer naqueles países”. Conclui o dirigente que “o governo tem que tirar muito mais proveito disso, e infelizmente não o faz”.

Jorge Rangel acredita que é necessário haver uma nova abordagem junto de diferentes entidades governamentais. O responsável pelo Instituto Internacional de Macau sugere a criação de um canal de comunicação que contaria com a coordenação do Conselho das Comunidades Macaenses: “Podíamos criar um sistema de funcionamento em que fosse garantido um apoio e que permitisse estabelecer uma relação permanente das Casas com instituições locais. O ideal é que fosse coordenado através do Conselho. O Conselho deve assumir este papel de coordenação e representação das casas. Porque é difícil, estando as casas tão dispersas, lidarem directamente com o Governo”. Em suma, tentar desse modo, junto do Governo, angariar “uma verba suficiente para apoiar estas iniciativas que não são as de natureza associativa, mas relacionadas com a promoção e valorização de Macau no estrangeiro”.

O presidente do IIM referiu-se ainda ao gradual envelhecimento das Casas de Macau como um fenómeno transversal ao associativismo e acredita que a renovação destas estruturas passa por envolver os mais jovens nos órgãos directivos: “Porque as pessoas têm aquela tendência de, ao serem eleitos, permanecerem nos cargos durante muito tempo. Em tudo o que fazemos na vida há um tempo de entrada e um tempo de saída, e é bom que cada um perceba qual é o seu tempo de saída”, defendeu.

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