Camadas mais jovens permanecem distantes do inquérito sobre identidade macaense

13221088_171350013265304_8932207032352634934_n

Os resultados preliminares do questionário sobre a auto-percepção da identidade macaense, dirigido à comunidade tanto em Macau como na diáspora, haviam sido apresentados em Dezembro de 2015. Neles ressaltavam a gastronomia e as tradições, que os inquiridos apontaram como sendo as principais características desta identidade. Quase um ano depois –  e tratando-se de um inquérito ainda em aberto – somam-se já 435 respostas, vindas de 24 países. Mas os resultados mantêm-se, disse ontem o seu autor, que fez uma actualização dos mesmos numa sessão enquadrada no Encontro das Comunidades Macaenses. Os mais velhos continuam a ser os que mais participam numa auscultação sem objectivos científicos e promovida pela Associação dos Macaenses (ADM).

“A conclusão não é diferente da última vez, mas se calhar vem reforçar aquilo que já se conseguia ler nas entrelinhas. As pessoas concordam que a identidade é importante e que se deve defender a cultura macaense. Se calhar algumas das conclusões que tirava é que se deve apostar mais na culinária, deve-se apostar nas características ocidentais que temos em Macau”, assinalou ontem José Basto da Silva, ao PONTO FINAL.

O autor do inquérito, que desempenha funções como vice-presidente da ADM, confrontou-se ainda, na análise dos resultados, com a percepção de que o patuá poderá servir como elemento aglutinador da comunidade: “Falou-se também que o patuá se calhar era aqui o ingrediente secreto, que podia despertar consciências e interesses das comunidades macaenses. Um problema muito claro também é a falta de participação e interesse das camadas mais jovens. E aí se calhar é preciso trabalhar ou tentar incentivar, e envolvê-los nas actividades comunitárias e associativas”, defendeu o gestor de projectos.

Entre as 10 questões lançadas à comunidade, figuram as características mas importantes na identidade maquista. Ainda que se tenham somado entretanto mais duas dezenas de respostas, as vertentes mais valorizadas permanecem as mesmas: “É a gastronomia, são as tradições, é a auto-percepção do ‘eu sou macaense’. Também se fala de outra vertente, que é a aceitação da comunidade e dessa pessoa como macaense. E depois é o aspecto de ter nascido cá, ou se é católico, é a questão da língua”.

É fundamental falar português, na afirmação dessa identidade? “Continua a ser importante, mas cada vez menos, porque começam a surgir novos laivos de macaenses, é inevitável. Se calhar até é bom que seja assim, quando as espécies se adaptam significa que têm hipótese de se manterem”, defende José Basto da Silva.

O autor explicou ainda que o inquérito se manterá aberto na plataforma on-line em que está alojado. As 435 respostas até agora reunidas chegaram, na sua maioria, de Macau, de Portugal e dos Estados Unidos da América. S.G.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s