Lionel Leong: “O jogo vai ser a locomotiva da diversificação”

O Governo quer avançar, por volta do terceiro trimestre do próximo ano, com uma proposta de revisão legislativa com o intuito de incentivar o desenvolvimento “de um sector financeiro de características próprias”. A ideia é tornar Macau numa plataforma de liquidação de renminbi nas transacções entre a China e os países lusófonos, ao abrigo do que foi especificado por Pequim no rescaldo da última conferência ministerial do Fórum Macau.

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Como tem sido tradição nas discussões do hemiciclo quando o assunto é a economia, o verbo “diversificar” foi repetido ontem vezes sem conta, graças à ida do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong Vai Tac,  à Assembleia Legislativa (AL) para esclarecer as dúvidas dos deputados.

O rumo assumido pelo Executivo passa, nomeadamente, pela aposta no “desenvolvimento de um sector financeiro de características próprias” mas, garante o governante, sem que haja necessidade de voltar as costas ao sector que impulsionou o sucesso económico do território: os casinos devem ser, isso sim, a roda motriz da evolução da economia local para um paradigma mais diversificado.

Durante a sessão, o deputado Chan Meng Kam quis saber como pretendia o Executivo revolucionar a economia para que não continuasse “tão dependente do sector do jogo” e Lionel Leong pareceu querer desmistificar essa ideia ao responder: “Não queremos afastarmo-nos do sector do jogo. Mas sim, usá-lo como locomotiva para fazer nascer outras indústrias”, sublinhou.

A falta de espaço – num território onde 650 mil habitantes se acotovelam com magotes de turistas em pouco mais de 30 quilómetros quadrados – e a escassez de mão-de-obra são, conforme observou o deputado Si Ka Lon, obstáculos a considerar: “Não temos como desenvolver todos os sectores ao mesmo tempo”, observou.

Lionel Leong não discorda e reforça os sectores que o Governo tem estabelecido como prioridade – perante a necessidade de fazer escolhas, os que parecem mais bem posicionados para receber esse impulso são o das indústrias criativas, o da logística, o da medicina tradicional chinesa e aquele que tem vindo a merecer cada vez mais atenção do Governo, o sector financeiro.

“O desenvolvimento de um sector financeiro de características próprias é muito importante porque vai permitir o reforço de outras áreas, nomeadamente as implicadas directamente: a auditoria, a contabilidade, a área jurídica e de credenciação de profissionais, entre outras”, observou o secretário.

 

Uma plataforma de liquidação de yuans

 

Em concreto, Lionel Leong destaca ter já sido constituído na Secretaria para a Economia e Finanças um grupo de trabalho para estudar o melhoramento da legislação dessa área. O governante prevê estar em condições para avançar, por volta do terceiro trimestre do próximo ano, com uma proposta de revisão da lei – nomeadamente para promover benefícios fiscais à locação financeira: “O IPIM [Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau] vai criar um canal rápido para que os quadros necessários que não temos possam ser importados de forma célere”, adiantou.

A cooperação regional –  através da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” –  é encarada como uma alavanca, até porque a ideia é transformar Macau numa plataforma de liquidação de renminbi nas transacções entre a China e os países de língua portuguesa.

 

 

 

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