Crimes associados ao jogo responsáveis por aumento da criminalidade violenta

Os dados relativos aos crimes cometidos durante os nove primeiros meses deste ano, ontem apresentados pelo secretário para a Segurança, dão conta de um crescimento de 8,4 por cento na criminalidade violenta. Para tal, muito contribuíram os crimes de sequestro, associados ao jogo, que representam 57,4 por cento do total de casos de criminalidade violenta.

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Sílvia Gonçalves

Entre Janeiro e Setembro deste ano foram instaurados um total de 10.826 inquéritos criminais, o que se traduz num aumento de 4,6 por cento, face ao mesmo período de 2015. Já no domínio da criminalidade violenta foram registados 608 casos, o que representa uma subida de 8,4 por cento. Para o  crescimento das transgressões violentas contribuíram os crimes associados ao jogo. Entre Janeiro e Setembro foram 1298, os processos relacionados com o sector do jogo, o que representa uma subida de 16 por cento, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre estes, o destaque vai para os crimes de sequestro – com um total de 349 casos – e uma subida de 13,3 por cento. Em alta estiveram ainda os crimes de usura (agiotagem), que totalizaram 348 incidências nos nove primeiros meses de 2016. O número esconde uma subida de 45 por cento face aos 240 casos registados no mesmo período de 2015. O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak  aponta contudo, uma tendência de abrandamento, uma vez que as incidências do género tem vindo a diminuir de trimestre para trimestre ao longo do presente ano.

O governante sublinhou também o facto de os mesmos crimes de sequestro e usura não envolverem, na sua maioria, residentes e estarem circunscritos ao universo dos casinos: “Segundo as informações recolhidas, a maioria dos ofendidos e dos suspeitos não são residentes de Macau. Para além disso, os processos relativos a estes tipos de crimes foram abertos por iniciativa da própria polícia e a maioria dos casos aconteceu dentro dos casinos, bem como não há indícios que mostrem que estes crimes se estendam para além do ambiente interno dos casinos, o que significa que a sua ocorrência não constituiu impacto na segurança da sociedade de Macau”, assinalou.

O secretário para a Segurança recordou o caso dos três sequestros ocorridos entre Julho e Agosto, “que resultaram na morte dos devedores”, tendo duas das mortes sido atribuídas a suicídio e a terceira a queda durante a fuga. Wong Sio Chak salientou também que “embora os casos tenham sido resolvidos e não tenham trazido consequências negativas para a segurança da sociedade”, tal “não significa que o assunto não mereça a nossa atenção”. O responsável pela tutela da segurança garantiu que as forças no terreno continuarão a “reprimir em contínuo as disputas de empréstimos para o jogo”.

Os crimes de sequestro – a que as autoridades chamam crimes “de cárcere privado” – são, de, resto, responsáveis pela subida de 8,4 por cento da criminalidade violenta nos primeiros 9 meses do ano, face ao mesmo período de 2015. “Este valor é devido a uma subida notável do crime de cárcere privado, que se cifrou em 349 casos, representando 57,4 por cento do total de casos de criminalidade violenta”. Ainda no âmbito da criminalidade violenta, as forças de segurança continuam a registar uma quase total inexistência de ocorrências em matéria de homicídio: “No que respeita à criminalidade violenta e grave, como casos de homicídio, rapto e de ofensas corporais graves mantemo-nos a zero, ou com uma casuística muito baixa”.

Na mesma tipologia da criminalidade violenta, as autoridades registaram, no mesmo período, um aumento significativo dos casos de associação criminosa. Foram 22 casos, uma subida de 11 face aos 11 registados em 2015. Seis deles estão associados a imigração ilegal, outros seis a sequestro, quatro a práticas de  usura, um de ofensa grave à integridade física e um de burla.

Foram ainda instaurados dois casos de associação secreta, sendo que não tinha sido registado nenhum caso no ano passado. Wong Sio Chak salientou que “até ao presente, a polícia ainda não recebeu informações sobre qualquer anormalidade no comportamento de associações secretas devido ao ajustamento das receitas do jogo”.

Nota ainda para as situações de transporte ilegal, com um total de 663 casos autuados entre Janeiro e Setembro, correspondendo 513 casos à prestação de serviço de transporte em veículos privados através de aplicação móvel, “notando um aumento sucessivo desde Outubro do ano passado”. O secretário para a Segurança deu ainda conta do “acréscimo notável, de 60,6 por cento” na passagem de moeda falsa, “registando-se também

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