Park Geun-hye na corda bomba

A presidente sul-coreana deverá ter de enfrentar, no início do próximo mês, uma moção parlamentar de “impeachment” promovida pelo maior partido da oposição do país. Para que o processo de destituição avance, a proposta tem de ser aprovada por dois terços dos deputados da Câmara Baixa do país.

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A principal partido da oposição da Coreia do Sul – o Partido Democrático – anunciou esta quinta-feira que vai apresentar, no início do próximo mês, uma moção parlamentar para o processo de destituição da Presidente  Park Geun-hye, implicada num escândalo político.

O partido vai submeter a moção de ‘impeachment’ à votação da Assembleia Nacional (parlamento) “entre 2 e 9 de Dezembro”, indicou um porta-voz do partido à agência Efe.

A principal força da oposição vai centrar-se na preparação da moção, pelo que, de momento, não irá discutir questões como a nomeação de um primeiro-ministro – o anterior foi destituído – ou a proposta de um novo elenco governativo, de acordo com o mesmo responsável.

Os três principais partidos da oposição anunciaram na segunda-feira a sua intenção de avançar com o ‘impeachment’ depois de a Procuradoria da Coreia do Sul ter revelado que a Presidente teve um papel “considerável” no escândalo de corrupção e tráfico de influências que envolve o Governo, ao acusar formalmente uma amiga próxima de Park Geun-Hye e dois antigos assessores.

A Procuradoria indicou que Park cooperou com a sua amiga, Choi Soon-sil, e outros dois ex-colaboradores que terão pressionado mais de 50 empresas do país para doarem 65,7 milhões de dólares – 62 milhões de euros – a duas fundações, uma das quais liderada por Choi Soon-sil.

Para que o processo de destituição avance é necessário, em primeiro lugar, que a moção seja aprovada por dois terços dos deputados da Câmara Baixa. Apesar de a oposição não contar com a maioria, é provável que a iniciativa granjeie ‘luz verde’, dado que há vários deputados do Saenuri – partido no poder – que viraram as costas à Presidente e juntaram-se às vozes que pedem a demissão de Park.

Uma vez aprovada pelo parlamento, seriam necessários os votos favoráveis de seis dos nove juízes do Tribunal Constitucional para a ‘luz verde’ definitiva àquele que, a materializar-se, será o primeiro processo de destituição na Coreia do Sul desde a fundação do país, em 1948.

O escândalo “Choi Soon-sil Gate”, que estalou há um mês, reduziu a mínimos a popularidade da Presidente e levou toda a oposição e grande parte da sociedade a pedir a demissão de Park, que deve ser interrogada pela justiça em breve.

Milhares de pessoas têm-se manifestado nas ruas das principais cidades do país a pedir a demissão da presidente sul-coreana. A indignação dos sul-coreanos, incluindo de membros do seu partido, tem por base a ideia de que a Presidente foi manietada durante o seu mandato por Choi, que não desempenha qualquer cargo público e foi comparada pelos meios de comunicação social à figura de Rasputin.

Uma recente sondagem coloca a taxa de aprovação de Park nos 5 por cento – o valor mais baixo alguma vez alcançado por um Presidente na Coreia do Sul desde que o país alcançou a democracia no final da década de 1980. O mandato da Presidente termina dentro de 15 meses. Caso Park se demita antes, a lei obriga a eleições no prazo de 60 dias.

 

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