Mais de quatro mil milhões para três empresas controladas pelo Governo

A Sociedade do Metro Ligeiro de Macau será convertida numa companhia denominada Macau Metro Ligeiro SA, uma empresa sem accionistas inteiramente comparticipada pelo Governo e cujo orçamento para 2017 vai ser de 1,4 mil milhões de patacas. No debate sobre a Lei do Orçamento de 2017, os deputados pediram também explicações sobre os aumentos salariais na função pública.

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Rodrigo de Matos

Um conjunto de apenas três empresas comparticipadas pelo Governo vai receber, no próximo ano, um total de mais de quatro mil milhões de patacas em financiamento público. Os números foram avançados pelos representantes do Governo – encabeçados pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong Vai Tac – na comitiva que se deslocou ao hemicilo com o intuito único de discutir a proposta de Lei do Orçamento de 2017 com a 1.ª Comissão Permanente. À cabeça da lista, aparece a empresa que gere o Parque Industrial de Medicina Chinesa, na Ilha da Montanha, que irá receber 1,7 mil milhões de patacas.

“A sociedade de investimento e desenvolvimento actualmente instalada na Ilha da Montanha e que é responsável pelo Parque Industrial de Medicina Chinesa tem prevista uma injecção de capital em 2017 de 1,7 mil milhões de patacas, para custear as despesas de construção do parque”, informou a deputada Kwan Tsui Hang, presidente da 1.ª Comissão Permanente, no balanço da primeira reunião, transmitindo o que lhe foi comunicado pelo Governo.

Logo de seguida pontifica a companhia Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, que será convertida numa sociedade denominada Macau Metro Ligeiro SA – “uma empresa sem accionistas e que vai ser inteiramente participada pelo Governo” – e cujo orçamento para 2017 vai ser de 1,4 mil milhões de patacas, de acordo com a informação disponibilizada pela parlamentar. O restante será direccionado para a sociedade do Parque de Cooperação Jiangsu-Macau, que aparece no terceiro lugar do “pódio”, com aproximadamente mil milhões. As empresas que vão receber essas verbas, garante o Governo, não vão ficar isentas de fiscalização: “Há entidades terceiras que vão fiscalizar e avaliar a actividade desenvolvida por essas sociedades. As suas contas serão sujeitas a auditoria”.

Estranheza junto dos deputados causou o facto de o Governo ter prevista uma despesa de 500 milhões de patacas com a Universidade de Macau (UM): “Na próxima reunião, vamos convidar os representantes da instituição de ensino superior para virem prestar esclarecimentos sobre essas despesas. Uma vez que a construção do novo campus já foi concluída, então porque é que há a necessidade ainda desse montante?”, questiona Kwan Tsui Hang.

 

Actualização salarial da função pública causa celeuma

 

Mas a primeira questão a centrar as atenções na reunião de ontem foi a dos aumentos salariais para os funcionários públicos. A actualização no próximo ano ronda os 2,4 por cento e, apesar de ser a mais baixa desde 2011, é considerada “razoável” pelo Governo: “Prevê-se que em 2017 a situação económica de Macau vai manter-se estável como agora e não se vai registar um crescimento significativo. Daí que a taxa de inflação também não vai ser elevada conforme as previsões [que apontam para menos de três por cento este ano]”, foi a explicação apresentada por Lionel Leong, segundo a presidente da 1.ª Comissão Permanente.

Na reunião, foi também explicado que a contratação prevista de mais 1500 trabalhadores para o sector público era motivada pelo reforço de serviços que previam um aumento das suas actividades – segurança, saúde, entre outros – além da substituição de outros efectivos que entretanto abandonaram ou se preparam para abandonar as suas funções.

Secretário para a Economia comenta subida do PIB

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A economia de Macau está bem de saúde, defendeu ontem Lionel Leong Vai Tac, secretário para a Economia e Finanças. Mais do que resultado de um reequilíbrio cíclico na sequência das quedas que se vinham vivendo com os dois anos consecutivos de contracção nas receitas dos casinos, a recente recuperação é, a opinião do governante, um sinal de que a economia está num bom caminho.

“É normal, depois de oito anos a crescer, o PIB decresceu. Mas, no terceiro trimestre de 2016, tivemos novamente um crescimento. O bom sinal disto não é só o aumento em si, mas igualmente importante é que este aumento não depender só das receitas de jogo”, comentou Lionel Leong em declarações aos jornalistas, à saída da reunião de ontem na Assembleia Legislativa (AL) em que participou em representação do Governo na discussão com a 1.ª Comissão Permanente sobre a proposta de Lei do Orçamento de 2017. “Importantes foram também as nossas exportações de serviços. O aumento das despesas dos turistas foi outro factor que contribuiu para apoiar este crescimento. Penso que é um bom sinal. Significa que a nossa diversificação está a funcionar”, acrescentou.

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