Fong Chi Keong arrasa dirigentes “acomodados e preguiçosos” da administração

Quietinhos, acomodados, preguiçosos e à espera da sorte. Foi este o cenário traçado pelo deputado conhecido entre os falantes de cantonense como o “Canhão Fong” sobre os dirigentes da administração pública do Território.

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João Santos Filipe

O deputado Fong Chi Keong lançou ontem um feroz ataque aos dirigentes dos serviços administrativos que acusou de inacção e de não fazerem nada até serem criticados por entidades independentes, como o Comissariados Contra a Corrupção ou a Comissariado de Auditoria.

O ataque foi feito na Assembleia Legislativa, numa intervenção de oito minutos na qual nem as “frases feitas” utilizadas por Sónia Chan nas Linhas de Acção Governativa foram poupadas: “Tenho muitas reservas que os serviços consigam alcançar os objectivos [que constam no documento LAG]. Os dirigentes estão sempre à espera das críticas de entidades independentes para se mexerem. Se, por exemplo, o Comissariado de Auditoria não dirigir críticas aos serviços ninguém faz nada”, afirmou Fong Chi Keong.

“Muitos acreditam que se ficarem nos seus lugares quietinhos, acomodados, preguiçosos e à espera da sorte que as coisas podem correr bem. O Governo só vai conseguir alterar esta realidade quando começar a auto-avaliar-se e a resolver os problemas internos”, defendeu.

No segundo dia em que os deputados questionaram a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan voltou a ter de responder sobre a eficiência e auto-avaliação dos serviços administrativos: “A sua tutela nas LAG está sempre a apregoar que vai simplificar as matérias. São sempre as mesmas palavras. Parecem os nossos dirigentes do Interior da China que repetem sempre aquelas palavras a dizer que vão servir a população e trabalhar em prol da população”, acusou.

 

Pausa das 3h00 para merenda

 

O deputado nomeado por Chui Sai On mudou depois o alvo para o processo de despedimento de trabalhadores da função pública, que faz com que os bons funcionários tenham de “trabalhar até à morte”: “Há um problema que não podemos menosprezar. Nos serviços públicos o despedimento é muito mais complexo do que o processo de contratação. Por isso, os serviços acabam por colocar os funcionários que não trabalham em lugares irrelevantes e os funcionários empenhados acabam por trabalhar até à morte”, defendeu.

“São funcionários que às 3h00 da tarde param logo para comer uma merenda. Depois recomeçam a trabalhar, mas às 5h00 da tarde lavam logo as mãos e vão embora. Isto acaba por ter uma influência negativa”, avisou.

Por sua vez, Sónia Chan explicou que a avaliação dos serviços vai ter em conta a execução dos objectivos que estão definidos nas Linhas de Acção Governativa: “No futuro, quando avaliarmos o desempenho dos dirigentes, temos que ver a execução das Linhas de Acção Governativa e a execução do orçamento por parte do dirigente. Haverá outros critérios na avaliação, incluindo alguns resultados obtidos pelas entidades independentes de avaliação”, afirmou a secretária.

Sónia Chan explicou igualmente que nesta fase o Governo não tem intenções de reduzir o número de funcionários, pelo que o mecanismo de despedimento não é relevante. Porém a secretária informou a Assembleia Legislativa que todos os anos entre 700 e 800 abandonam o erário público devido a diferentes razões.

 

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