Entre a continuidade e a mudança, alinham-se os candidatos à liderança da APEP

Mais de uma década depois, são duas as listas que concorrem às eleições para os órgãos associativos da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos da Escola Portuguesa de Macau (APEP), que vão ter lugar a 29 de Novembro. A lista B – que se apresenta como uma lista de ruptura – elenca entre as propostas a criação de um observatório escolar e uma adequada gestão das actividades complementares. A lista A não se alonga em objectivos, que resume à criação de um concurso público para o catering da cantina.

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Sílvia Gonçalves

As dificuldades que diz sentir na comunicação com a direcção da Escola Portuguesa de Macau (EPM)  levaram Manuel Gouveia a apresentar e encabeçar uma lista nas eleições para os órgãos associativos da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau (APEP). O jurista diz querer colmatar o que chama de défice nas actividades complementares da instituição de ensino e criar um observatório escolar que permita a adopção de medidas pedagógicas adequadas às turmas. Valéria Koob encabeça a lista A, que se traduz, diz, numa lista de continuidade. Recusando alongar-se nas propostas e metas, a candidata assume apenas como prioridade a abertura de um concurso público para o catering da cantina da escola.

“Em primeiro lugar, um certo inconformismo com a falta de informação que chega aos pais. Quer em termos quantitativos, quer em termos de oportunidade. Há muita coisa que nos chega já fora de tempo. Há umas ideias que foram sendo discutidas entre este grupo de pessoas e que nos levou a avançarmos”, conta Manuel Gouveia, para explicar o que motivou a candidatura da lista B.

Entre as linhas de força da lista que pretende assumir a direcção da APEP, o jurista começa por apontar uma maior abertura do estabelecimento de ensino: “Pretendemos assegurar que a EPM seja uma escola aberta 360 dias por ano e não apenas num dia. É extremamente difícil comunicar com a direcção, obter uma resposta. Só com transparência e só com informação é que se gera confiança”, defende o jurista.

A crítica, estende-a ainda à actual direcção da APEP: “Penso que se nota que há uma certa hesitação em levar determinados assuntos mais delicados à própria direcção”, defende Gouveia.

Ao alinhar as propostas da lista que representa, o candidato que lidera a lista B volta a atenção para as actividades extra-curriculares: “Pretendemos desde logo colmatar, com parcerias com entidades públicas ou mesmo empresas privadas, algum défice que há com certas actividades complementares. Este ano foi bem patente com a confusão que se gerou nas inscrições. Não há um estudo prévio de quais são as necessidades ou preferências dos pais e alunos relativamente a estas actividades, nomeadamente no que respeita a actividades de grupo. Este ano deixou de haver, para os mais pequenos, voleibol, inexplicavelmente”, alega.

Na vertente da avaliação, o jurista pretende introduzir um mecanismo de acompanhamento: “Relativamente à avaliação, defendemos que tem que haver uma monitorização consistente das aprendizagens, designadamente ao nível da matemática, do português, do mandarim. Vamos propor à escola que institua um observatório escolar, em que sejam carregados os resultados dos testes e não só os resultados finais dos anos ou dos ciclos. Para assegurar que a aprendizagem está a ser conseguida, permitindo a adopção de medidas pedagógicas adequadas às turmas e um reforço dos apoios aos alunos que tiverem necessidades particulares”, defende.

Manuel Gouveia, que tem um filho a frequentar o 6º ano na EPM, assume como grande preocupação a qualidade das instalações: “Estão esgotadas, e isso está de certo modo ocultado da sociedade. Vamos precisar de tomar uma medida que terá que ser necessariamente política, ou expandir a escola ou criar outro polo ou mudar de instalações”, defende. O jurista elege ainda como prioritário um tópico que diz ser tabu: “Por algum motivo, ninguém toca na cantina. A cantina precisa de uma adequação porque penso que é manifestamente pequena, mas precisa sobretudo de alguém tomar a decisão de implementar uns menus mais saudáveis e que sejam aceitáveis, quer pelos pais, quer pelas crianças”.

A lista B organiza hoje o debate “Presente e Futuro da Comunidade Escolar da Escola Portuguesa de Macau”, na galeria da Livraria Portuguesa, às 18h30, que se vai focar “no projecto educativo actual, nas perspectivas de futuro, e sobretudo no envolvimento que desejamos que seja feito pelos diversos agentes da comunidade educativa”, adianta o candidato.

Uma proposta de continuidade. Assim resume Valéria Koob, uma candidatura que não pretende instaurar mudanças significativas: “A nossa ideia principal é que a nossa lista vai ser um lista de continuidade. Como todos sabemos, a nossa escola é uma escola de referência, então o que nos importa principalmente é tentar manter o patamar que a nossa escola atingiu. O que nos mobiliza é isto”, assinala.

Quando questionada sobre as propostas da lista que representa, Valéria não concretiza: “As nossas propostas, os nossos objectivos vão ser com certeza realistas. É sempre bonito dizer coisas bonitas mas têm que ser sempre realistas”, assinala a docente de italiano do Instituto de Estudos Europeus de Macau, organismo liderado por José Luís Sales Marques, administrador da Fundação Escola Portuguesa de Macau.

Insistimos nos exemplos, que uma candidatura não existe sem propósitos: “Não falamos muito nisso, por enquanto. Mas uma pequena ideia podia ser, por exemplo, abrir um concurso público para o catering da cantina”. Interessa-vos melhorar os menus? “Não é bem melhorar, é ver se há outras possibilidades além da actual. Já houve uma tentativa de melhorar os menus mas não teve grande sucesso no passado”, recorda a líder da candidatura da lista A.

Recusando alinhar metas da lista que encabeça, Valéria Koob, mãe de dois alunos da EPM, assume apenas: “O nosso objectivo principal é auscultar todos e dialogar, sobretudo. Vai ser uma lista de continuidade e sobretudo de diálogo.  Porque só através do diálogo, entre os pais e a direcção, se consegue o melhor para a escola”, conclui.

 

 

 

 

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