Três gerações de artistas portugueses no festival de vídeo experimental

Rui Calçada Bastos, artista que viveu em Macau, e um dos fundadores da galeria de arte Invaliden 1, em Berlim, regressa este fim-de-semana ao território para falar sobre o seu trabalho no Festival de Vídeo Experimental (EXiM), dedicado este ano a Portugal. O trabalho de outros oito artistas portugueses vai estar em destaque, a par com os filmes experimentalistas de quase duas dezenas de artistas locais.

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Cláudia Aranda
claudia.aranda.pontofinal@gmail.com

Três gerações de artistas portugueses, entre eles Rui Calçada Bastos, Nuno Cera, Carla Cabanas, António Júlio Duarte, José Carlos Teixeira, José Maçãs de Carvalho, Tatiana Macedo, Mariana Viegas, Bruno Ramos – uma representação de peso no que de mais actual e relevante se faz em Portugal em termos de arte experimentalista – vai estar pela primeira no Festival de Vídeo Experimental (EXiM 2016), que este ano dá destaque a Portugal. O certame dedicado ao filme e ao vídeo experimental realiza-se ao longo do próximo fim-de-semana – de 25 a 27 de Novembro – no Armazém do Boi, com a projecção de trabalhos dos nove artistas estabelecidos em Portugal e de quase duas dezenas de criadores baseados em Macau.
José Drummond, o responsável pela selecção do programa afecto aos artistas portugueses (e que partilha a curadoria com Bianca Lei, directora do festival) explicou em conversa com o PONTO FINAL que a organização decidiu dividir o festival entre sessões mais diversificadas com a projecção de vários artistas, e secções dedicadas “a um tipo de expressão ou a um artista em exclusivo” ou “àquilo que é feito no feminino ou realizado por mulheres”.
É isso que acontece na primeira projecção, no sábado, às 16h. No programa de Portugal surgem Tatiana Macedo e Mariana Viegas: “São artistas que também trabalham com a fotografia” e em que “há um olhar sobre o vazio”:“No caso da Tatiana é um olhar sobre determinados aspectos do vazio e do tédio”, explica José Drummond.
O título do trabalho de Tatiana Macedo é o tema de uma canção de Leonard Cohen – “Seems So Long Ago, Nancy”- e nele a artista mostra a vida das pessoas que trabalham no museu de arte londrino, Tate Gallery: “O filme é todo feito na perspectiva dessas pessoas que quase passam despercebidas ao público. São estes os personagens eleitos do filme, e nesse sentido, ela transfigura completamente a visão que se poderia ter sobre um espaço museológico”, adianta o curador.
Por sua vez, Mariana Viegas “realiza um trabalho que tem vindo a juntar espaços em ruínas, onde ainda poderá haver uma existência qualquer, não necessariamente humana, e os dois vídeos que vão ser apresentados focam isso, estão nesse diálogo entre qualquer coisa que está em vias de desaparecer e uma perspectiva quase sobre a morte, mas onde ainda há espaço para uma existência, mesmo que não seja humana”, acrescenta Drummond.
O festival tem início na sexta-feira, às 19h, com uma projecção inicial que junta trabalhos de Macau e de Portugal, neste caso, de Carla Cabanas e Nuno Cera. Segue-se, no sábado, uma projecção mais diversa com a presença de vários artistas de Macau.
No domingo concentram-se as projecções dos artistas portugueses, nomeadamente Nuno Cera, Carla Cabanas, Bruno Ramos, José Carlos Teixeira, António Júlio Duarte e Rui Calçada Bastos. Haverá ainda dois “screenings” destinados exclusivamente à obra de José Maçãs de Carvalho e a Rui Calçada Bastos, que vai apresentar e falar sobre seu trabalho.
José Drummond explica que os três vídeos do artista que viveu em Macau – e é um dos fundadores da galeria de arte Invaliden 1, em Berlim – “são trabalhos com contextos e práticas bastante diferentes”: “Um tem uma atitude bastante perfomativa, é filmado em Macau, no qual ele repete um gesto de carregar um grande panelão, que vai fazendo um barulho constante que vai interferindo com a própria vivência nas ruas por onde vai passando”, descreve o curador.
Nos outros trabalhos há “uma intenção visual bastante forte, com ligação forte ao cinema”. Um dos trabalhos, “muito cinematográfico”, foi realizado em Los Angeles. Rui Calçada Bastos “fez uma recolha de declarações de ‘serial killers’, havendo um texto feito a partir dessas declarações, que acaba por resultar de forma muito poética, no sentido em que busca o que há de humano nestas pessoas, e que serve de pano de fundo a imagens de trânsito e de ruído, em que existe uma tensão, que acaba por dar um valor maior às palavras”, conclui Drummond.

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