Coreia do Sul: Park no fio da navalha

O Conselho de Ministros da Coreia do Sul deu ontem carta branca à constituição de um comité independente que vai investigar as acusações de corrupção que recaem sobre a presidente Park Geun-hye. Os dois maiores partidos da oposição sul-coreana já deixaram claro que tencionam avançar com um processo de destituição da Chefe de Estado.

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O Conselho de Ministros sul-coreano aprovou ontem uma proposta de lei para criar um comité independente cujas funções passam por investigar o caso de corrupção e tráfico de influências em que a Presidente sul-coreana, Park Geun-hye, foi declarada cúmplice.
Segundo a proposta, o novo comité contará com três membros – dois eleitos pelos partidos da oposição e um pela própria chefe de Estado –, que terão à sua disposição uma equipa de 105 investigadores, de acordo com os detalhes avançados pela agência noticiosa sul-coreana Yonhap.
A Presidente da Coreia do Sul precisa de dar ‘luz verde’ para o comité ser criado, algo que se estima que acontecerá dado que Park Geun-hye manifestou a intenção de evitar a via legal normal após ter sido assinalada pela Procuradoria, no domingo, como cúmplice no âmbito do “Choi Soon-sil gate”.
A Procuradoria não pode acusar Park porque a Constituição sul-coreana concede-lhe imunidade, excepto em casos especiais, como traição.
Segundo a Procuradoria da Coreia do Sul, a Presidente teve um papel “considerável” no escândalo de corrupção e tráfico de influências que envolve o Governo, ao acusar formalmente uma amiga próxima de Park Geun-Hye e dois antigos assessores. Park terá cooperado com a sua amiga, Choi Soon-sil, e outros dois ex-colaboradores que terão pressionado mais de 50 empresas do país para doarem 65,7 milhões de dólares a duas fundações, uma das quais dirigida por Choi.
Uma vez ‘aprovada’ pela Presidente, essa comissão independente terá 20 dias para preparativos e outros 70 para levar a cabo a investigação propriamente dita.
A criação do comité foi aprovada em Conselho de Ministros apesar da ausência da chefe de Estado, que não participa nas reuniões há seis semanas devido a este escândalo, que desencadeou a maior crise política dos últimos anos na Coreia do Sul.
Existem dúvidas de que a Presidente também se apresente à Procuradoria para ser interrogada, já que o seu advogado colocou em causa a sua neutralidade. Entretanto, na segunda-feira, as duas principais forças da oposição da Coreia do Sul anunciaram que vão avançar com um processo de destituição de Park, dado que a chefe de Estado recusa demitir-se apesar dos protestos massivos a que o país tem assistido para que o faça.
A indignação dos sul-coreanos – incluindo de membros do seu partido – tem por base a ideia de que a Presidente foi manietada durante o seu mandato por Choi, que não desempenha qualquer cargo público e foi comparada pelos meios de comunicação social à figura de Rasputin.
Uma recente sondagem coloca a taxa de aprovação de Park nos 5 por cento – o valor mais baixo alguma vez alcançado por um Presidente na Coreia do Sul desde que o país alcançou a democracia no final da década de 1980.
O mandato da Presidente termina dentro de 15 meses. Caso Park se demita antes, a lei obriga a eleições no prazo de 60 dias.

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