Pequim quer que o Myanmar coloque ordem na casa

Bombas supostamente lançadas pelo exército birmanês atingiram no fim-de-semana território chinês e o Governo Central não gostou. As autoridades de Pequim exigem a Naypyidaw que restaurem a paz na fronteira comum entre ambos os países.

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A República Popular da China exigiu às autoridades da Birmânia que restaurem a paz na fronteira comum e evitem uma escalada no conflito entre as forças armadas e guerrilhas armadas, após uma bomba ter atingido território chinês.
As autoridades chinesas puseram em marcha um dispositivo de emergência e reforçaram o contingente policial junto à fronteira.
Pequim “espera que todas as partes implicadas participem no diálogo e consultas e façam esforços concretos para salvaguardar a paz”, afirmou um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, em comunicado difundido na noite de domingo.
Os combates entre as forças birmanesas e as guerrilhas que actuam no norte do país começaram na madrugada de domingo e o tiroteio podia ser escutado na cidade chinesa de Wanding, situada na fronteira.
Uma das bombas atingiu uma aldeia chinesa, sem causar vitimas.
Entretanto, um hospital chinês admitiu dois civis da Birmânia que ficaram feridos e em vários locais foram preparadas instalações para receber os refugiados do conflito.
Segundo escreveu ontem a imprensa estatal birmanesa, pelo menos oito pessoas morreram no noroeste do país nos confrontos no domingo entre o exército e guerrilhas de três minorias étnicas.
Segundo o jornal Global New Light of Myanmar, os confrontos foram provocados por ataques a postos militares e da polícia por parte do Exército para a Independência Kachin, Exército de Libertação Nacional Ta’ang e milicianos da minoria kokang.
Um soldado, três polícias, um membro da milícia civil e três moradores morreram e 29 pessoas ficaram feridas, incluindo nove polícias, de acordo com o mesmo diário.
Na sequência da ofensiva, várias bombas caíram do lado chinês da fronteira, onde não foram registados feridos, segundo o jornal.
O recrudescimento da violência representa mais um golpe nos esforços da líder de facto do governo birmanês, Aung San Suu Kyi, para alcançar um acordo de paz com as guerrilhas.
O governo organizou em Agosto uma conferência de paz, que reuniu 18 das 21 guerrilhas do país e terminou com uma declaração de boas intenções, mas sem grandes conclusões.
Os ta’ang e kokang não participaram no encontro, devido ao veto dos militares, ao contrário do que sucedeu com os kachin, que enviaram uma delegação. Os kachin – com cerca de 10.000 milicianos – enfrentam o exército desde 2011, após o fim de um cessar-fogo que durou 17 anos.
Esse diálogo não deteve, contudo, a ofensiva levada a cabo na zona pelo exército birmanês, ao qual a Constituição concede amplos poderes, incluindo os ministérios da Defesa, Interior e Fronteiras, e poder de veto no parlamento.
Uma maior autonomia é a principal reivindicação de quase todas as minorias étnicas da Birmânia, incluindo a chin, kachin, karen, kokang, kayah, mon, rakain, shan e wa, as quais representam mais de 30 por cento dos 48 milhões de habitantes do país.
Em Maio de 2015, durante um conflito entre as tropas da Birmânia e guerrilheiros kokang, uma bomba atingiu também território chinês, causando a morte de cinco camponeses.
A Birmânia pediu desculpas e pagou compensações pelo incidente.

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