Coreia do Sul: Oposição vai avançar com processo de “impeachment”

O maior partido da oposição sul-coreana quer depor a presidente do país, Park Geun-hye. O Partido Democrático deverá avançar com um processo de “impeachment” se a Chefe de Estado não avançar para um pedido de demissão por mote próprio.

S. Korean President Park Pledges To Work For Strong Sanctions On N. Korea
SEOUL, SOUTH KOREA – JANUARY 13: South Korean President Park Geun-Hye speaks during a New Year’s news conference at Presidential House on January 13, 2016 in Seoul, South Korea. President Park Geun-hye pledged to make diplomatic efforts so that the U.N. Security Council can adopt a resolution to press the strongest sanctions on North Korea. (Photo by Jeon Heon-Kyun-Pool/Getty Images)

A maior força da oposição na Coreia do Sul, o Partido Democrático, anunciou esta segunda-feira que vai avançar com um processo de destituição da Presidente caso Park Geun-hye não se demita após ser declarada cúmplice de um caso de corrupção.
“Park deve demitir-se. Tendo em conta esta postura, vamos analisar o ‘impeachment’ de Park e a possibilidade de formar um governo provisório se for caso disso”, afirmou a líder do Partido Democrático, Choo Mi-ae.
Choo Mi-ae assegurou que iniciar-se-ão “de forma imediata” os trâmites necessários para o processo de destituição na Assembleia Nacional, apesar de advertir que pode demorar até seis meses a ocorrer, segundo um comunicado divulgado pelo partido.
O anúncio chega um dia depois de a Procuradoria da Coreia do Sul ter revelado que a Presidente teve um papel “considerável” no escândalo de corrupção e tráfico de influências que envolve o Governo, ao acusar formalmente uma amiga próxima de Park Geun-Hye e dois antigos assessores da chefe de Estado sul-coreana.
A Procuradoria indicou que Park cooperou com a sua amiga, Choi Soon-sil, e outros dois ex-colaboradores que terão pressionado mais de 50 empresas do país para doarem 65,7 milhões de dólares – 62 milhões de euros – a duas fundações.
O escândalo “Choi Soon-sil Gate”, que estalou há um mês, reduziu a mínimos históricos a popularidade da Presidente da Coreia do Sul e levou toda a oposição e grande parte da sociedade a pedir a demissão de Park, que deve ser interrogada pela justiça em breve.
Milhares de pessoas têm-se manifestado a pedir a demissão da presidente sul-coreana.
A indignação dos sul-coreanos, incluindo de membros do seu partido, tem por base a ideia de que a Presidente foi manietada durante o seu mandato por Choi, que não desempenha qualquer cargo público e foi comparada pelos meios de comunicação social à figura de Rasputin.
Uma recente sondagem coloca a taxa de aprovação de Park nos 5 por cento, o valor mais baixo alguma vez alcançado por um Presidente na Coreia do Sul desde que o país alcançou a democracia no final da década de 1980.
O mandato da Presidente termina dentro de 15 meses. Caso Park se demita antes, a lei obriga a eleições no prazo de 60 dias.

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