Governo lança programa de despistagem do cancro colorectal

O Executivo quer combater a mortalidade associada ao cancro colorectal e lançou na sexta-feira um programa de rastreio da segunda doença oncológica que mais mata em Macau. A iniciativa é conduzida pelos Serviços de Saúde em parceria com três hospitais privados do território.

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A Direcção dos Serviços de Saúde lançou um programa de rastreio do cancro colorectal, o segundo mais comum e mais letal no território. A iniciativa tem como destinatários os residentes com idades entre os 60 e os 69 anos.

Os Serviços de Saúde esperam que metade do universo de residentes elegíveis – 8.000 em 16.000 – adira ao programa. O Governo cobre as despesas com os exames.

O rastreio desenrola-se em duas fases: a primeira prevê um exame de sangue oculto nas fezes, ao qual seguir-se-á uma colonoscopia no caso de o resultado ser positivo, explicou o chefe do Centro de Proteção e Controlo de Doenças dos Serviços de Saúde, Lam Chong, em conferência de imprensa.

As colonoscopias não vão ser realizadas no Centro Hospitalar Conde de São Januário – o único hospital público de Macau – mas em três unidades privadas chamadas a colaborar no programa de rastreio, que se desenrola ao longo dos dois próximos anos.

O Governo estima gastar, por ano, nove milhões de patacas – com base na adesão esperada de 8.000 residentes – uma verba a ser distribuída pelos três hospitais privados consoante o número de exames levados a cabo, de acordo com Lam Chong.

O médico-consultor do Serviço de Gastroenterologia, Ng Ka Kei, afirmou que o Centro Hospitalar Conde de São Januário “não tem capacidade” ou “condições” para fazer mais exames, atendendo ao número de utentes que recebe naquela unidade.

De acordo com o especialista, o hospital público conduz entre 10 a 15 colonoscopias por dia, um número que diz respeito apenas aos dias úteis e exclui os casos urgentes.

O programa divide o período de inscrição dos destinatários em duas fases.

Os residentes nascidos nos anos ímpares – 1947; 1949; 1951; 1953 e 1955 – podem inscrever-se até 31 de Outubro de 2017, enquanto os dos anos pares – 1948; 1950; 1952; 1954 e 1956 – o poderão fazer a partir de 1 de Novembro do próximo ano e até 31 de Outubro de 2018.

O intervalo etário foi definido com base na média das idades de incidência – que é actualmente de 67,5 anos – em Macau. Para serem elegíveis para o rastreio, além da idade, os residentes têm de cumprir requisitos como não ter realizado nenhuma colonoscopia nos últimos cinco anos nem um exame de sangue oculto nas fezes nos últimos dois.

O cancro do colorectal é o segundo mais comum em Macau, a seguir ao de traqueia, brônquio e pulmões. Em 2014, segundo os dados mais recentes da Direcção de Serviços de Saúde, foram registados 1.598 novos casos de cancro em Macau, dos quais 253 de cancro colorrectal.

O cancro colorectal figura também como o segundo mais mortal: 101 mortes em 2014, a seguir ao de traqueia, brônquio e pulmões, com 188.

A Direcção dos Serviços de Saúde realizaram, no ano passado, o “programa piloto” de rastreio do cancro colorectal, abrindo mil vagas para a realização do exame de sangue oculto nas fezes.

Segundo dados divulgados na sexta-feira, 995 residentes submeteram as amostras para o exame, o qual deu positivo em 107, com 66 pessoas a precisarem de mais exames médicos.

No final do procedimento, foram diagnosticados seis tumores malignos, três em fase avançada e três num estágio inicial.

 

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