Estaleiros fazem mais mortos do que estradas

Nos últimos cinco anos, os acidentes de natureza laboral mataram mais do que os acidentes nas estradas: 99 pessoas perderam a vida em estaleiros e em fábricas, ao passo que os desastres rodoviários mataram 78 pessoas. Ontem assinalou-se o Dia Mundial em Memória das Vítimas das Estradas.

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O número de mortos em acidentes de trabalho nos últimos cinco anos no território supera o de vítimas nas estradas, apesar de a taxa de sinistralidade ser menor, de acordo com dados compilados pela agência Lusa.

Entre 2011 e 2015 foram registados 75.700 acidentes de viação com 78 mortos contra 35.450 acidentes de trabalho que resultaram em 99 vítimas mortais.

No primeiro semestre do ano, ocorreram 7.425 acidentes de viação, mais do dobro relativamente aos 3.650 acidentes de trabalho, mas o número de vítimas mortais foi menor: quatro contra nove.

Como principais causas dos acidentes de viação surgem o “excesso de velocidade” e a “não-cedência de passagem nas passadeiras e cruzamentos”, segundo os dados avançados à Agência Lusa pela Polícia de Segurança Pública.

Com uma área de pouco mais de 30 quilómetros quadrados, uma rede rodoviária estimada em 427 quilómetros e uma população de 647.700 pessoas no fim de 2015, o território contava, no final de Setembro último, com 249.013 veículos em circulação, dos quais mais de metade (52,3 por cento) eram motociclos.

Os dados, compilados a partir das estatísticas da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Direcção dos Serviços de Assuntos Laborais (DSAL), indicam que, em média, por ano, entre 2011 e 2015, Macau registou 15 mortes nas estradas e 19 em acidentes laborais.

De realçar, porém, que os Serviços para os Assuntos Laborais faz uma ressalva relativamente às mortes causadas por acidentes de trabalho nos últimos anos por os casos estarem ainda “na fase de investigação”.

Assim, das 99 mortes registadas nos últimos cinco anos em acidentes laborais, a DSAL observa que 23 – 11 em 2015, cinco em 2014 e sete em 2013 – “podem eventualmente estar relacionadas com o estado de saúde das vítimas”, indicando que os dados serão revistos de acordo com as sentenças proferidas pelo tribunal.

O mesmo sucede no que diz respeito aos primeiros seis meses do ano, com a DSAL a indicar que o estado de saúde dos trabalhadores pode estar relacionado com sete das nove vítimas mortais contabilizadas. O número de feridos em acidentes de trabalho dos últimos cinco anos também ultrapassa o dos acidentes rodoviários.

Entre 2011 e 2015 foram contabilizados 35.346 feridos em acidentes laborais, dos quais 283 ficaram permanentemente incapacitadas de trabalhar, de acordo com os dados avançados à Agência Lusa pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais.

Já nas estradas foram registados 26.727 feridos, dos quais 1.240 precisaram de internamento hospitalar, de acordo com a PSP.

Só no primeiro semestre do ano, os acidentes de trabalho provocaram 3.614 feridos, com quatro pessoas a ficarem incapacitadas permanentemente, ao passo que os sinistros nas estradas fizeram 2.272 feridos, dos quais 96 careceram de internamento hospitalar. Ontem, 20 de Novembro, assinalou-se o Dia Mundial em Memória das Vítimas das Estradas.

 

 

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