Feira voltada à manufactura reúne criadores de cinco territórios

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Foi ontem inaugurada e decorre até domingo, a segunda edição no corrente ano da Feira de Artesanato do Tap Seac. Durante quatro dias, criadores de Macau, Hong Kong, Malásia, Singapura e Coreia apresentam o seu trabalho em 240 expositores. O programa inclui ainda workshops de artesanato e concertos, com músicos locais e do exterior.

 

Sílvia Gonçalves

silviagoncalves.pontofinal@gmail.com

 

Com o descer da noite, fervilha de vida a praça onde duas horas antes os artesãos e artistas trataram de alinhar sobre as bancas acessórios, loiças, roupa, mobiliário, pintura ou fotografia. Os 240 expositores montados na Praça do Tap Seac acolhem criadores locais mas também de Hong Kong, da Malásia, de Singapura e da Coreia do Sul. A Feira de Artesanato do Tap Seac foi ontem inaugurada com um cartaz que contempla mais de vinte workshops de artesanato e concertos. Ung Vai Meng fez as honras de abertura de uma edição onde o Instituto Cultural investiu um milhão e meio de patacas. O certame, diz, deve receber mais do que os 50 mil visitantes que passaram pela feira do Tap Seac em Maio.

Na banca meticulosamente arrumada alinham-se peças de olaria e cerâmica, numa profusão de cinzas e de azuis e verdes límpidos como água. Taças para o chá e para o arroz, bules de um barro finíssimo, com que o artesão simula servir a bebida milenar, num ritual que transpira suavidade no gesto. Chen Chi Hao vem de Jingdezhen, cidade bimilenar que o mundo associa à porcelana e à cerâmica. Centro encravado na província de Jiangxi, onde abundam ateliês e escolas, como aquela em que o artesão de 26 anos se formou.

Chen Chi Hao habituou-se a cumprir a rota das feiras que lhe permitem mostrar o trabalho feito nas horas longas do ateliê. É a terceira vez que a Feira de Artesanato do Tap Seac integra um circuito que implica passagem também por Hong Kong, Guangzhou e Shenzhen:  “Todas as peças são desenhadas por mim, são todas pintadas à mão”, conta o artesão especializado em olaria e cerâmica, que estudou arte num instituto da cidade-porcelana. “É a terceira vez que cá venho, vim em Maio e em Novembro do ano passado. Também vou a Hong Kong, Guangzhou e Shenzhen”, atira, enquanto tenta enxotar a timidez, amparado pela companheira.

À distância, o material com que Cha Mi trabalha cria uma ilusão de pele. Observado de perto, a surpresa diante de uma textura que deixa pouca margem para dúvidas: “Trabalho com papel artesanal lavável. Costumamos ver este material nas etiquetas dos jeans. Em vez de pele usam isto para substituir, é um material lavável”, conta a artesã de 26 anos, que chega da Malásia.

“É a primeira vez que venho a Macau, venho mostrar as minhas coisas e ver o trabalho feito noutros países. Na Malásia só agora estão a começar a prestar atenção a estes trabalhos”, refere. Sozinha, atrás de uma mesa preenchida de malas e carteiras, Cha Mi confessa que ainda não foram muitos os clientes a chegar-se a uma banca que, à partida, seria apenas mais uma a vender artigos em pele. A criadora tratou de colocar ao centro um pequeno cartão onde explica tratar-se, afinal, de uma matéria-prima lavável e amiga do ambiente. O primeiro impacto com a cidade resulta já numa certeza: “Penso voltar no próximo ano, espero que sim”, garante.

 

UNG VAI MENG PREVÊ ACRÉSCIMO DE VISITANTES NA FEIRA

“Esta é a segunda edição deste ano da Feira de Artesanato do Tap Seac. Na edição de Maio tivemos 50 mil visitantes. Então agora – o tempo está muito bom – esperamos ter mais gente”, assumiu Guilherme Ung Vai Meng, após a cerimónia de abertura. O presidente do Instituto Cultural diz ter contado esta edição da feira com “um investimento de um milhão e quinhentas mil patacas”, refere.

No discurso de abertura, Ung Vai Meng definira o evento, fundado em 2008, como “uma plataforma que reúne um leque variado de elementos criativos, bem como a criatividade dos membros das indústrias culturais locais e estrangeiras, a fim de proporcionar aos últimos a oportunidade de mostrar o seu trabalho e de partilhar ideias entre si”.

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