Pequim volta a defender o direito de controlar a Internet

 

As autoridades do Continente voltaram esta segunda-feira a defender o direito de controlar a forma como a Internet deve ser utilizada. O apelo foi feito na abertura da III Conferência Mundial sobre a Internet, um evento que concentra em Wuzhen algumas das mais importantes multinacionais do sector.

INTERNET CAFE
Chinese youth use computers at an Internet cafe in Beijing Saturday June 18, 2005. China has the world’s second-largest online population – 100 million – after the United States, but addiction to the Internet is increasing. The country’s first government-approved clinic geared toward curing Internet addicts, has treated more than 300 addicts since opening last October. (AP Photo/Greg Baker)

A China defendeu esta quarta-feira o direito de controlar e promover o uso “sensato” da rede, perante representantes de multinacionais da tecnologia, como a Microsoft, IBM ou Lenovo, durante a III Conferência Mundial sobre a Internet.

O evento, organizado pelo Governo chinês, arrancou hoje em Wuzhen, na costa leste chinesa, depois de as edições prévias terem suscitado críticas por serem organizadas num país onde o uso da Internet é restringido.

A censura imposta por Pequim no ciberespaço resulta no bloqueio de vários portais estrangeiros e também de alguns serviços de “gigantes” da Internet, como o Facebook, Twitter e Google.

Numa mensagem gravada em vídeo e difundida na abertura da conferência, o Presidente chinês, Xi Jinping, apela à comunidade internacional para que coordene esforços no sentido de melhorar a segurança no ciberespaço. Xi disse ainda apoiar que cada país procure os seus modelos para um “desenvolvimento ordenado” da Internet: “A China trabalhará com a comunidade internacional para assegurar o bem comum da humanidade, manter a soberania do espaço “online”, promover uma governação global da Internet mais justa e equitativa e um ciberespaço aberto, inclusivo e seguro”, afirmou.

O líder chinês insistiu na necessidade de alcançar “consensos” internacionais para aproveitar as oportunidades que a rede oferece e enfrentar os desafios: “O desenvolvimento da Internet não tem fronteiras nacionais ou sectoriais. O uso, desenvolvimento e governação sensata da Internet apela à cooperação internacional e esforços conjuntos para construir uma comunidade de futuro comum no ciberespaço”, apontou.

Na semana passada, a Assembleia Nacional Popular (ANP) chinesa aprovou a lei de segurança na Internet, que reforça os poderes do Governo para aceder a informação, obter registos de mensagens e bloquear a difusão de dados que considera ilegais.

A normativa foi alvo de duras críticas por grupos de defesa dos Direitos Humanos ou de associações de empresários. A lei representa “um recuo para a inovação no país e não contribuirá muito para aumentar a segurança”, comentou a Câmara do Comércio dos Estados Unidos da América na China.

Já a homólogo europeu advertiu para o “ambiente negativo e de incerteza” que se criou.

Multinacionais como a Microsoft, IBM, Qualcomm, Amazon ou Linkedin e as chinesas Lenovo, Alibaba, Baidu ou Tencent encontram-se entre os participantes da conferência de Wuzhen.

A Amnistia Internacional (AI) apelou a todos os grupo que enviem “uma mensagem clara ao Governo chinês de que não estão preparados para cumprir com os amplos abusos aos direitos de liberdade de expressão e de privacidade”: “Os comentários de Xi evidenciam que a China está a tratar de redefinir o significado da Internet, que foi criada para conectar os cidadãos de todas as partes do mundo”, refere em comunicado.

Durante a reunião em Wuzhen, as empresas deverão exibir os seus últimos produtos nos sectores do comércio electrónico, transportes partilhados e processamento de grandes volumes de dados.

A China é o país com mais internautas do mundo, cerca de 710 milhões de usuários – mais de o dobro de há cinco anos – 92,5 por cento dos quais acedem à rede através de smartphones, segundo dados oficiais.

 

 

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