Indiferença, desdém, entusiasmo. Reacções mistas no rescaldo das LAG

Há residentes do território a quem a apresentação das Linhas de Acção Governativas não aquece, nem arrefece. Os mais idosos são os que acompanham com maior atenção o anúncio das LAG, mas as opiniões dividem-se no que toca às propostas do Governo para o próximo ano

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Elisa Gao

O Governo vai manter intocados os valores dos principais instrumentos de comparticipação pecuniária instituídos ao longo dos últimos anos, mas para alguns residentes do território ouvidos pelo PONTO FINAL, distribuir dinheiro não chega.

Na apresentação, anteontem na Assembleia Legislativa, das Linhas gerais de Acção Governativa para o próximo ano Chui Sai On anunciou o previsível: em 2017, o Executivo vai voltar a distribuir dinheiro ao abrigo do programa de comparticipação pecuniária, mantém a politica de atribuição de cheques- saúde e vai dar o pontapé de saída na terceira fase do programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo, ao mesmo tempo que prolonga o apoio concedido, entre outros, a idosos, a estudantes e a residentes portadores de deficiência.

Apesar da manutenção das prestações sociais suscitar o aplauso quase consensual dos residentes do território, há quem defenda que distribuir dinheiro, por si só, não basta.

Wong Yiu Sam, um idoso de 80 anos que o PONTO FINAL encontrou à sombra de uma canforeira no Largo do Pagode do Bazar, manifestou o seu descontentamento com o que qualifica de esmolas do Governo: “Não estou nada satisfeito. Nunca falta dinheiro para actividades nas ruas e nas praças e este dinheiro vai parar ao bolso de alguém”, defende. Wong lamenta ainda que só os trabalhadores da função pública sejam verdadeiramente beneficiados nas Linhas de Acção Governativa: “É todos os anos a mesma coisa. Há dinheiro para aumentar os salários da função pública, mas nunca há dinheiro para reforçar as pensões de velhice ou o valor dos cheques distribuídos pelo Governo”, critica.

Cheong Nam, amigo de longa data de Wong Yiu Sam, ainda que dez anos mais jovem, intrometeu-se na conversa, apenas para apontar baterias ao sistema de saúde do território:  “Os procedimentos não estão bem organizados. Os idosos têm de se submeter a uma longa lista de espera para acederem a tratamento”, defende.

Mas as críticas de Cheong não se ficaram pelo que diz ser o mau estado de saúde dos hospitais de Macau: “As lojas nesta zona do Largo do Pagode do Bazar perderam muito negócio desde que as contas do jogo começaram a cair. Até os comerciantes da Areia Preta fazem mais negócio. O Governo devia criar mecanismos para atrair turistas para esta área”, propõe.

Ho Tong Chuen não gosta de cuspir no prato onde come. Na terça-feira, quando o Chefe do Executivo anunciou a manutenção das prestações sociais, Ho respirou de alívio: “É claro que estou satisfeito”, diz, entre gargalhadas. “Espero que estas políticas se mantenham e mesmo que o montante distribuído se mantenha o mesmo, não faz mal nenhum. Eu não sou ganancioso”, esclarece.

 

Do entusiasmo à indiferença

 

Já Pou, um técnico de 39 anos que se recusou a avançar com o seu nome completo, mostrou sobretudo indiferença face ao conteúdo das Linhas de Acção Governativa para o próximo ano: “É todos os anos a mesma coisa”, salienta. O residente, que se encontrava no Largo do Pagode do Bazar com a mulher e os filhos, manifestou-se apreensivo com os problemas decorrentes do aumento do tráfego automóvel e desvalorizou o anúncio, feito por Chui Sai On, da criação de 3600 novos lugares de estacionamento: “Depende muito de onde ficam situados esses lugares, não é?  Se estiverem situados nas ilhas não me são de utilidade nenhuma”, defende.

Indiferença foi também o que manifestou Kany Kuong, aluna do segundo ano do Instituto Politécnico de Macau. A estudante diz que não tem por hábito discutir politica com o seu grupo de amigos e não tenciona ler as Linhas de Acção Governativa, ainda que esteja ao corrente do Subsídio de Aquisição de Material Escolar a Estudantes do Ensino Superio: “Sei que me posso candidatar, mas a minha família tem alguma afluência económica, por isso não me candidatei. Os amigos com quem me relaciono também não precisam disso”, remata.

 

 

 

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