Auditoria anunciada pelo Governo manterá jogo VIP sobre pressão

 

 

O mercado do jogo parece ter estabilizado ao longo dos últimos meses, mas a actual bonomia não deverá ser dada como um dado adquirido. Analistas consultados pela agência Lusa consideram que a auditoria anunciada pelo Executivo nas Linhas de Acção Governativa vai manter o segmento VIP entre a espada e a parede.

 

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Analistas de jogo consultados pela agência Lusa consideram que o plano do Governo de em 2017 auditar as contas dos angariadores de grandes apostadores para os casinos do território manterá o segmento VIP sob pressão, mas que é “positivo” para regular o negócio.

De acordo com as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, o Governo de Macau vai “desencadear uma auditoria específica” às contas de cada promotor de jogo, termo pelo qual são oficialmente designados os angariadores de jogadores VIP comummente conhecidos como ‘junkets’.

A auditoria deverá iniciar-se em Fevereiro e terminar em Dezembro de 2017 e surge no quadro do reforço da regulamentação e fiscalização das contas dos ‘junkets’:“Não conheço as especificidades do que estão a planear fazer diferente, mas penso que é seguro dizer que há uma razão pela qual nós prevemos que o [o segmento] VIP [dos casinos de Macau] continue a decrescer em 2017”, disse à agência Lusa Grant Govertsen, analista da Union Gaming, à margem de uma conferência sobre jogo integrada na Macau Gaming Show.

Embora sem o fluxo de outrora, o jogo VIP ainda gera mais de metade das receitas dos casinos de Macau, capital mundial do jogo e o único lugar na China onde os casinos são legais. “A nossa previsão actual é de um declínio de cerca de 4 por cento nas receitas, apesar de o segmento VIP estar potencialmente a crescer um pouco. Por isso, a nossa previsão assume, de facto, que há um risco adicional para o segmento VIP de uma perspectiva reguladora”, observou Grant Govertsen.

“Em última análise, os investidores gostariam de ver mais transparência, mas isso ganha-se à custa das receitas e do dinheiro dos impostos. Mas claramente, isso é algo que o Governo pensou”, acrescentou Govertsen, para quem “a boa notícia é que o segmento de massas parece ter entrado numa boa fase de crescimento”.

Já Marcus Liu, analista da CLSA, disse que a medida “vai ser positiva” para o mercado “sub-regulamentado durante muito tempo”: “Apesar de inicialmente poder implicar alguma ‘dor’ para os ‘junkets’, a longo prazo vai ser bom para o negócio destes”, afirmou, à margem da mesma conferência.

Nos últimos dois anos, têm sido noticiados desfalques em salas de grandes apostas (VIP), com os fundos desviados a envolverem milhões de euros.

“Vimos todos estes incidentes com as dívidas de jogo que deram uma má imagem [dos ‘junkets’], por isso é bom haver mais regulação; isso vai proteger um pouco mais o mercado”, acrescentou.

Macau tem 141 promotores de jogo autorizados a exercer actividade durante 2016, o número mais baixo desde 2006, um reflexo da conjuntura dos casinos e, em particular, do mercado de grandes apostadores.

Na abertura da Macau Gaming Show, na terça-feira, o director da inspecção de jogos de Macau, Paulo Martins Chan, disse que 19 ‘junkets’ têm de melhorar os respectivos sistemas de contabilidade, sob pena de perderem as licenças para operar, segundo o jornal Tribuna de Macau. Para Marcus Liu, o risco de alguns ‘junkets’ perderem as licenças pode não ter um impacto significativo: “O negócio dos ‘junkets’ é muito fragmentado, mas os quatro ou cinco grandes detêm uma quota de mercado de 80 por cento ou 85 por cento. Não penso que faça uma grande diferença se esses 19 saírem do mercado. Assumo que estes 19 em risco de desaparecer estarão no final da ‘tabela’ dos cerca de 140 junkets’ actuais”, explicou.

Marcus Liu observou, no entanto, que “o negócio dos ‘junkets’ está sob uma grande pressão” e que atendendo à quebra do negócio do segmento VIP, “é natural que alguns estejam a tentar entrar noutros mercados, tanto como operadores de ‘junkets’ (…) ou sob outras formas de operação”: “Falei com vários operadores de ‘junkets’ e muitos dizem que cada vez mais estão a olhar para fora do Macau e a tentar diversificar, porque se fores um ‘junket’ que está 100 por cento exposto [ao mercado de] Macau, e tiveres um par de anos maus, precisas de ter um certo nível de diversificação para proteger os ganhos”, observou.

 

 

 

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