A loucura que é correr em Macau, segundo Tiago Monteiro

Antes de partir para o Qatar, para a última corrida da temporada no WTCC, o piloto – que ocupa o terceiro lugar naquela competição – regressa a Macau com a Honda para mais uma Corrida da Guia. Há dois anos, uma avaria roubou-lhe a vitória quando liderava a três curvas do fim. Este ano, Monteiro quer a desforra.

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Rodrigo de Matos

Tornou-se, porventura, o maior nome do automobilismo luso quando foi o primeiro piloto português a subir ao pódio na Fórmula 1, com um terceiro lugar num acidentado Grande Prémio dos Estados Unidos, em 2005. Mas em Macau, onde já competiu várias vezes, nunca conseguiu ganhar. Tiago Monteiro aceitou um convite da Honda para participar na Corrida da Guia e competir lado a lado com os pilotos que disputam a derradeira etapa da TCR International Series. Em conversa com os jornalistas, à margem de um evento promocional no Lago Nam Van, o piloto português deixou elogios ao que considera ser um dos circuitos mais perigosos do mundo: “Correr em Macau é para malucos”.

Além da “loucura” que é o ambiente gerado à volta do evento – que considera “mesmo interessante e fantástico” – Tiago Monteiro considera que, mais do que coragem, para se fazer à pista no circuito da Guia, um piloto precisa mesmo ter um parafuso a menos: “Macau é um grande desafio pela pista em si. É mesmo o maior que temos, provavelmente, para um piloto. É um bocado a nossa parte doida à procura do risco, porque é verdade que é uma pista perigosa”. As velocidades atingidas num circuito em que os carros passam praticamente a raspar nos muros, considera, é um factor de dificuldade que faz com que o Grande Prémio do território não seja para qualquer um: “Torna-se difícil também porque o piso é mau. Isto tudo cria uma tensão muito diferente, muito especial. E essa adrenalina é a nossa gasolina, é o que a gente gosta e estamos sempre à procura dessas maluqueiras”, explica.

 

O regresso antes do WTCC

 

Com a saída do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC), que deixou de ter a sua final em Macau há dois anos e a vinda da TCR International Series, Tiago Monteiro teve um ano de interregno na Guia: “O regresso do WTCC a Macau para o ano é uma excelente notícia para mim”, congratula-se o piloto luso.

Mas antes mesmo de um tal regresso se materializar, surgiu o convite da Honda para voltar já este ano, com a abertura dos regulamentos a outros carros que poderão rodar na pista, à margem da luta pelo campeonato da TCR: “Não hesitei um segundo e claro que aceitei logo”, conta. Para Monteiro, competir lado-a-lado com pilotos de outro campeonato vai ser um desafio interessante e de desfecho imprevisível: “Os carros são muito diferentes dos nossos. Apesar de serem mais lentos, não são necessariamente mais fáceis de guiar. Exigem uma técnica de pilotagem diferente”, explica, sem avançar previsões sobre o resultado que poderá conseguir, mas lembrando que em prova estarão “entre 10 a 12 pilotos muito fortes”.

 

A hora do ajuste de contas

 

Estrear-se a vencer em Macau seria, para Monteiro uma espécie de “vingança”. Da última vez que acelerou na Guia, dominou a corrida quase do princípio ao fim e já se preparava para receber a bandeirada de xadrez em primeiro, quando um problema na direcção do seu Honda Civic a apenas três curvas da meta o obrigou a abandonar a prova: “Faltavam só três curvas! Isso foi difícil de engolir e, por isso, também queria essa pequena desforra”, confessa.

Contra si tem o facto de ter ainda poucos quilómetros rodados ao volante do carro que irá pilotar: “Tive uma pequena experiência com ele há três anos, quando ajudei no seu desenvolvimento. Mas nunca mais andei nele. Há três semanas, fui fazer uma tarde no Estoril para ajudar um amigo que corre no TCR em Portugal, mas aproveitei para ficar a conhecer melhor o carro. Deu para ter uma ideia, mas claro que Estoril e Macau são pistas bastante diferentes”, explica, considerando que os seus argumentos para o ano, ao volante do carro que utiliza normalmente no WTCC, serão outros: “Isso já me permitirá treinar mais um bocadinho”.

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