Voltar a pintar como crianças

Regressar às origens, pintar sem preocupações, desconstruir identidades artísticas. Este foi o desafio aceite por mais de uma dezena de artistas e autores de 300 minúsculas obras de arte, que vão estar expostas a partir de 7 de Dezembro no número 45 da Rua da Barra. Filipe das Dores é o curador da exposição “Mini Game” e um dos mentores do projecto.

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Cláudia Aranda

São dezenas –  mais precisamente trezentas – pequenas molduras, que enquadram fragmentos de memória, desenhos, rabiscos, personagens favoritos dos bonecos animados, utensílios do dia-a-dia, acessórios, um carro desportivo, uma caravela portuguesa, um peixe desenhado a tinta-da-china. As minúsculas obras de arte foram desenhadas por 11 artistas, alguns já com nome relativamente consagrado na cena artística local, outros ainda estudantes ou aprendizes. Os trabalhos – medindo cerca de três centímetros de largura por outros tantos de comprimento – vão estar em exposição entre 7 e 30 de Dezembro na galeria MMM, no número 45 da Rua da Barra, sede do atelier de artes que alberga os artistas.

O curador e um dos mentores deste processo criativo é Filipe Miguel das Dores, conhecido pelas aguarelas de média e grande dimensão, que ilustram a arquitectura icónica de Macau, algumas das quais já lhe valeram prémios internacionais.

Em conversa com o PONTO FINAL, o curador da exposição “Mini Game” explicou que esta exposição teve como mote levar os artistas a libertarem-se da pressão diária de terem que ser originais, de não plagiar, de encontrarem uma linguagem única e original que os torna inconfundíveis no mundo das artes. Mas que, no entanto, os afasta das coisas que mais amam, das motivações que os levou a começarem a pintar. “Mini Game” resulta, assim, de uma proposta feita aos artistas para “regressarem às origens”, recriarem a vontade original de inventar e de desenhar, de forma despreocupada e descontraída. Trata-se, em suma, de um convite para desligar a máquina, reiniciar e actualizar: “Normalmente os artistas têm dificuldade em encontrar o seu estilo. Por exemplo, eu pinto aguarelas de edifícios e de arquitectura de Macau, este é o meu estilo de arte, mas há temas de quando eu era criança, por exemplo pintar um ‘cartoon’, não vou introduzir isto nas minhas pinturas, é só um hobby”, explicou Filipe das Dores.

Esta foi, assume o autor, uma oportunidade para desenhar o que lhe passou pela cabeça, sem se preocupar em ser fiel ao seu estilo artístico: “’Mini Game’ é um jogo entre pessoas que gostam de desenhar, para alivar a pressão do nosso processo criativo e voltar a ser criança. Pintarmos como quisermos, sem a preocupação do profissionalismo”, acrescentou Filipe das Dores.

Esta liberdade permite, também, que pessoas sem competências artísticas possam participar no jogo. “Desta vez a exposição começa com cerca de 10 pessoas. Alguns são artistas outros estão ligados às artes visuais. Mas há pessoas que não são artistas, mas toda a gente pode participar”.

A exposição junta os desenhos realizados por Filipe das Dores, José das Dores, Leon Chan, Sut Chi Kou, Kariney Leong, Lin Bo-Xiang, Skic Cheok, entre outros. As peças vão estar à venda, pelo preço de 300 patacas cada.

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