Banco Nacional Ultramarino começou a congelar contas de clientes

O banco que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos já começou a congelar as contas de alguns clientes que não aceitaram fornecer os seus dados para efeitos de supervisão. A Autoridade Monetária garante que a prática do BNU está dentro da legalidade.

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João Santos Filipe

O Banco Nacional Ultramarino revelou ao PONTO FINAL que já começou a congelar algumas contas de clientes que não preencheram o formulário a autorizar a transferências dos dados pessoais à empresa-mãe para efeitos de supervisão por parte do Grupo Caixa Geral de Depósitos.

A revelação foi feita em resposta a um email enviado pelo PONTO FINAL, e depois confirmada através de contactos telefónicos efectuados por este jornal. Os contactos surgiram depois de o PONTO FINAL ter tomado conhecimento de situações que deixaram os clientes agastados com o procedimento do banco.

“Estas questões levantadas pelo PONTO FINAL são o resultado de certas medidas que o Banco teve de adoptar de forma a cumprir com as exigências regulamentares, como a actualização da informação sobre os clientes e a realização da supervisão consolidada”, afirmou o banco através da vice-directora do departamento de marketing, Vitória Santos. “Estas medidas têm como objectivo proteger a força do sector financeiro e proteger os clientes”, frisou.

Apesar de admitir o cenário, o Banco não quis revelar o número de contas e clientes que foram até ao momento afectados pelo endurecer dos procedimentos por parte da instituição bancária. O congelamento pode acontecer independentemente do número de contas de que o cliente disponha: “Informamos os clientes, se eles continuarem a dizer, no seu pleno direito, que não autorizam [a transferência de dados] independentemente de ser apenas uma conta ou várias, nós não podemos mesmo prosseguir com a actividade bancária com o cliente”, explicou a responsável do banco.

O BNU reiterou ainda que tem feito todos os esforços através de contactos pessoais, envio de cartas e telefonemas para garantir que todos os clientes compreendem a necessidade e o objectivo do formulário.

Por sua vez, a Autoridade Monetária de Macau explicou ao PONTO FINAL que a opção pelo congelamento de contas está dentro da legalidade e que cumpre as regras em vigor no território: “As instituições bancárias em Macau são obrigadas as cumprir a Directiva Contra o Branqueamento de Capitais e o Financiamento do Terrorismo. A alínea ‘d’ do parágrafo 8.1.2 da directiva define que: ‘Uma vez aberta uma conta ou estabelecido um relacionamento comercial, se a diligência devida não puder estar concluída dentro de um período de tempo razoável e sem um esclarecimento plausível sobre a demora, ou se posteriormente as instituições tiverem dúvidas quanto à verdadeira identidade do cliente que não possam ser resolvidas de forma satisfatória, devem aquelas suspender ou terminar o relacionamento comercial e considerarem participar ao GIF a transacção suspeita’”, explicou a autoridade.

De acordo com a informação prestada pelo BNU ao PONTO FINAL, mesmo depois de congeladas as contas, o clientes têm a opção de ir ao banco levantar o seu dinheiro e levá-lo para outra instituição.

O formulário para a transferência de dados para o Grupo Caixa Geral de Depósitos tem o nome Conheça o seu  Cliente (KYC) – Declaração do Cliente, e pode ser preenchido com a deslocação aos balcões do BNU.

 

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