C.S.I – Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

O ciclista-aranha da Penha

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Quando a polícia acorreu a uma casa de luxo na Estrada Dom João Paulino, na Penha, após uma denúncia, no dia 8 de Outubro, descobriu um cenário de destruição. O interior da moradia mais parecia o cenário de um terramoto: armários, cadeiras, mesas e até cortinas … tudo danificado. Com uma importante particularidade: alguns objectos valiosos tinham desaparecido. Tudo junto – entre despesas de reparação dos móveis e peças furtadas – o prejuízo rondou as 100 mil patacas. O mais curioso é que as únicas fechaduras que tinham sido arrombadas eram a da varanda e a do terraço, parecendo indicar que o autor do crime se tinha dado ao trabalho de escalar as paredes.
Diz-se que o criminoso regressa sempre ao local do crime. Mas desta vez, passados apenas 20 dias, o misterioso homem-aranha escusou de partir tantas coisas, levando apenas alguns objectos, num valor de 10 mil patacas. Uma vez mais, as pistas indicavam que tinha entrado pela varanda.
Os agentes ouviram alguns moradores das redondezas e houve quem tivesse testemunhado uma bicicleta parada ao lado da casa nos dias em que se produziram as ocorrências. A Polícia Judiciária lançou uma investigação e descobriu que o indivíduo chegava a pedalar, infiltrava-se numa vivenda vizinha, em obras, e na verdade, não trepava pelas paredes, mas usava uma trave que ligava ambas as casas para passar para o topo da que pretendia assaltar. Recolhidas e analisadas as impressões digitais deixadas no local, os investigadores chegaram à identidade de um indivíduo que já tinha sido ouvido pelo Ministério Público em Julho, por furto qualificado: um desempregado, de 38 anos, que não foi possível localizar por não ter morada fixa.
Até que, na sexta-feira passada, um vizinho voltou a ver a mesma bicicleta parada ao lado da casa e alertou a polícia, eram 21h. Uma hora depois, quando escalou as grades da cerca para sair da propriedade, caiu direitinho nas mãos dos agentes, que estavam à sua espera. Consigo transportava uma pequena quantidade de metanfetaminas de que admitiu ser consumidor. Interrogado na esquadra, confessou também ter entrado quatro vezes na casa, tendo pernoitado entre essa e as moradias vizinhas, de Julho a Setembro. Foi julgado por furto qualificado, dano qualificado, invasão de domicílio e ainda por consumo e posse de drogas.

Muito decibel e pouco juízo

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Uma barulheira infernal logo pela manhã pôs em franja os nervos dos moradores da Colina da Guia. Ainda faltava uma semana para o início do Grande Prémio de Macau, pelo que aqueles ruidosos motores não podiam ter nada a ver com as corridas, e houve quem chamasse a Polícia de Segurança Pública.
Ainda bem antes de chegarem, às 7h55, à intersecção da Estrada Dona Maria II com o Ramal dos Mouros, de onde vinha o barulho, os agentes já se apercebiam perfeitamente de que aquela gritaria de motores não podia estar dentro do previsto na lei. Interceptaram quatro indivíduos – um comerciante, um escriturário, um publicitário e um trabalhador de hotel, com idades compreendidas entre os 30 e os 40 anos – com os seus motociclos e efectuaram testes para medir a taxa de ruído das máquinas: três delas excediam os limites legais. Para piorar, nenhuma das motos tinha matrícula dianteira e três delas não dispunham de espelhos retrovisores.
Pelo barulho, os motociclistas tiveram de pagar multas de 1500 patacas, além de terem de se comprometer a proceder a reparações e submeter as motos a novas inspecções. Além disso, acresceram multas de 900 patacas pela falta de matrículas e 300 patacas pela ausência de espelhos retrovisores.

Fiado na sauna

 

pf1678csi_3Chegou às 4h30 de quinta-feira àquela sauna na Avenida Rodrigo Rodrigues e, no dia seguinte, à mesma hora, pagou as 428 patacas que devia pelos serviços prestados. Pôde continuar assim a usufruir dos serviços do estabelecimento. Mas passado outro dia, já não pagou. E, volvidos dois, já tinha o gerente da sauna a chateá-lo para que pagasse as 856 patacas que devia até então.
T. explicou que tinha emprestado dois mil dólares (15,9 mil patacas) a um amigo que tinha vindo com ele para Macau, pelo que tinha ficado de momento sem liquidez para saldar a dívida. Dispôs-se a ir à procura do amigo e propôs deixar o seu passaporte de cidadão da Mongólia como garantia. Mas o chefe da sauna achou pouco e chamou a Polícia de Segurança Pública.
Aos agentes da polícia, T. voltou a explicar que o suposto amigo tinha desaparecido com o dinheiro emprestado para ir saldar uma outra dívida e que até então não tinha voltado, permanecendo também incontactável. E teve de repetir uma vez mais a história diante do Ministério Público, ao responder pelo crime de burla. Até ao fecho desta edição, a PSP não tinha ainda localizado o “amigo”.

O ladrão abstémio

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Nem um pingo de vodka, nem uma gota de whiskey, nem sequer uma garrafinha de vinho tinha sido aberta. Quem quer que tivesse assaltado no domingo aquela loja de bebidas tinha tudo menos sede.
O vendedor do estabelecimento tinha trancado bem a porta quando saiu, por volta das 23h. Mas, quando voltou no dia seguinte, encontrou a porta fechada, mas não trancada. O mesmo vale para a caixa registadora, que se encontrava vazia.
A Polícia Judiciária foi chamada a investigar e quis examinar as imagens recolhidas pelo sistema interno de videovigilância. Foi aí que descobriu que outra coisa tinha desaparecido além do dinheiro: a peça de hardware do equipamento de recolha de imagens onde são armazenados os vídeos, mais um sinal da sobriedade da pessoa que havia cometido o crime.
Ao todo – entre o dispositivo do sistema de vídeo e o dinheiro furtado da caixa – o prejuízo causado foi de 13 mil patacas.

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