Saída de Müller resulta em perda de identidade do festival, defende Ivo M. Ferreira

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Foi com “enorme tristeza” que Ivo M. Ferreira reagiu ontem à decisão de Marco Müller de abandonar o cargo de director do 1.º Festival Internacional de Cinema de Macau, anunciada pela comissão organizadora do evento. O realizador, radicado em Macau, diz que sem o programador italiano – que já dirigiu os festivais internacionais de Locarno, Veneza ou Roma – perde-se a identidade de um festival antes mesmo de este se afirmar no circuito mundial.

“Enquanto cineasta e residente em Macau é com enorme tristeza que vejo esta saída. É como uma espécie de um sonho que quase esteve para se tornar realidade e de repente fica sem ser cumprido”, referiu Ivo M. Ferreira, em declarações ao PONTO FINAL. O realizador de “Cartas da Guerra” acentuou a perda de identidade de um festival que chega à edição inaugural sem um director que poderia posicioná-lo no circuito mundial de festivais de cinema: “Ia ser um festival com uma lógica programática muito específica, neste caso com um grande director. Isso é que realmente dava a marca e identidade ao festival. Por isso é que quando eu agora chegasse ao próximo festival e dissesse que era de Macau, em vez de me falarem em casinos e slot machines, falavam-me do festival e do Marco”, exemplifica.

O cineasta acredita que a alteração sofrida na direcção de um festival a arriscar os primeiros passos, impõe uma marca indelével a um evento que ainda não descolou: “O que é triste e inequívoco – e não há volta atrás – é que isto aconteceu e vai ser uma marca. É uma marca que fica sempre. Não deixa de ser um sonho a ficar a meio”, aponta.

Ivo M. Ferreira integrou um dos comités de selecção de filmes do festival, o que propiciou um contacto próximo com o programador italiano. O realizador desconhece as razões que motivaram a demissão, mas refere o desconforto sentido por Müller: “O que me parece evidente é que o Marco se sentia muito maltratado, que era a experiência mais negativa da sua vida, mas não faço ideia das razões, como é que se chega aqui”.

O realizador acredita que a saída do director artístico poderá implicar alterações numa programação já fechada: “Naturalmente que alguns convidados não quererão vir, outros sim. Não sei o que vai acontecer, nunca pensei que chegasse a este ponto”, confessa. S.G.

 

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