Ocidente, Oriente e medicina: “Pode haver conjugação de forças”

Os fármacos podem ser uma arma terapêutica para médicos e doentes, mas a sua utilização tem de ser – fundamentalmente – racional. O alerta foi dado no sábado por especialistas, na terceira edição do Fórum das Associações Médicas de Macau

tea for traditional chinese medicine

Pelo terceiro ano consecutivo, a Associação dos Médicos de Língua Portuguesa (AMLP) juntou-se a várias associações do sector da saúde do território e participou na 3.a edição do Fórum das Associações Médicas de Macau. O certame, que decorreu no sábado, foi subordinado ao tema “Medicamentos: há mar e mar, há ir e voltar” e o foco do debate incidiu sobre tópicos  tão distintos como os fármacos e a metabolização ou as alergias medicamentosas e de conceitos como a poli-farmácia e a fármaco-vigilância.

 

Shee Vá, vice- presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa, explicou ao PONTO FINAL que uma das maiores problemáticas no que diz respeito ao uso de fármacos no território é o recurso excessivo à medicação: “Em Macau, existem muitos doentes poli-medicados. É preciso chamar a atenção para essa situação, para que médicos e doentes não tratem sintomas, mas sim doenças”, salienta. “Uma doença pode ter quatro ou cinco sintomas e não é preciso utilizar quatro ou cinco medicamentos para tratar; provavelmente só um. Se tratarmos as causas não precisamos de tratar os sintomas”, esclareceu o clínico.

Porém, a medicina tradicional chinesa foi o domínio que recebeu maior destaque durante o encontro de sábado. Um especialista em medicina tradicional chinesa oriundo da vizinha RAEHK, Savio Yu, discorreu sobre a forma como a medicina tradicional chinesa trata maleitas sem o recurso a fármacos. Entre as alternativas abordadas por Yu esteve a acupunctura ou a estimulação dos meridianos para tratar determinadas doenças.

Os fármacos eleitos pela medicina oriental – sobretudo através do recurso a propriedades das plantas e de outros elementos – “são utilizados de uma forma empírica”, explicou Shee Vá: “A transmissão de conhecimentos é feita de geração em geração e não existem estudos em relação a esses medicamentos”, sublinha

A situação tem, ainda assim, vindo a alterar-se progressivamente, com a ciência a tentar encontrar respostas junto da tradição.  A República Popular da China, a Região Administrativa Especial de Hong Kong, a Austrália ou os Estados Unidos da América fazem parte do grupo de países que se tem debruçado sobre esta temática.

 

A EDUCAÇÃO TAMBÉM PODE SER UMA ARMA

 

A população chinesa recorre mais frequentemente à medicina tradicional chinesa do que propriamente às soluções propostas pela medicina ocidental. Os doentes chineses estão, portanto, muito habituados ao tratamento da sintomatologia e pode tornar-se difícil acompanharem a modernização dos fármacos utilizados a Oriente.

Para além disso, muitas vezes medicam-se com recurso quer a soluções medicamentosas modernas, quer a remédios tradicionais e não estão esclarecidos nesse sentido: “Foi por isso que quisemos verificar o que se passa com a medicina tradicional chinesa”, assumiu o vice-presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa. “A interferência entre os medicamentos da medicina oriental e os da medicina ocidental pode existir. É um alerta que é necessário fazer à população e aos médicos”, explicou.

Shee Vá defende ainda que “pode haver conjugação de forças”, mas é preciso conhecer ambos os lados e saber exponenciar a complementaridade entre os dois sistemas. O médico, tanto o ocidental como o tradicional chinês, tem de saber o que a que metodologia recorre o paciente: “O esforço é unirmo-nos para ver se conseguimos, nessa união ocidental-oriental, o melhor para o doente”, concluiu”. JF

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