Macau defronta o Nepal na final da Taça da Solidariedade

Fez-se história em Kuching: Macau carimbou no sábado a passagem ao encontro decisivo da Taça da Solidariedade. O onze orientado por Tam Iao San levou a melhor sobre o Brunei no desempate a partir da marca de grande penalidade, num desafio em que Ho Man Fai vestiu a pele de herói. O guarda-redes do território defendeu dois dos quatro penalties apontados pelo Dubai.

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Até ao início da noite de sábado a conjugação entre os vocábulos “Macau”, “futebol” e “final” prefigurava-se inverosímil, mas o improvável vai mesmo acontecer: a selecção de futebol do território vai disputar amanhã, contra o Nepal, o encontro decisivo da edição inaugural da Taça da Solidariedade.

Macau carimbou a passagem à final da prova ao bater a selecção do Brunei por 4-3 na lotaria das grandes penalidades, depois de se ter registado um empate a uma bola entre ambas as equipas ao fim de 120 minutos de jogo.

Num desafio em que a selecção orientada por Tam Iao San jogou em vantagem numérica durante boa parte da etapa complementar, o guardar-redes Ho Man Fai chamou a si o estatuto de herói, ao travar os penalties apontados por Rosmin Kamis e por Maududi Kasmi, catapultando o onze do Lótus para a sua primeira final no âmbito de uma competição internacional sancionada pela Confederação Asiática de Futebol.

Apesar do desfecho ter sorrido ao conjunto orientado por Joseph Tam Iao San, o Brunei entrou melhor na partida e aos 27 minutos colocou-se em vantagem por intermédio de Shahrazen Said. O golo do empate da formação do território acabou por surgir já na segunda parte, com Leong Ka Hang a marcar depois de Wardun Yussof ter visto o cartão vermelho aos 55 minutos.

Na lotaria dos penalties, ao fim de um prolongamento improdutivo, a selecção do Brunei acusou o desgaste e Macau aproveitou, selando a passagem ao encontro decisivo da edição de 2016 da Taça da Solidariedade.

A jogar quase em casa, o Brunei apresentou-se no encontro de sábado como marginalmente favorito. Kwon Oh-son, seleccionador do conjunto do sultanato, chamou à titularidade Faig Bolkiah, extremo de 18 anos formado nas escolas do Chelsea que no início do ano assinou um contrato profissional com o campeão inglês, Leicester City. Frente a Macau, o Brunei apresentou-se com três alterações face à equipa que perdeu por três bolas a zero frente ao Nepal. No onze do território – e apesar de ter deixado Nicholas Torrão no banco –  Tam Iao San operou cinco substituições no alinhamento inicial face à equipa que defrontou o Sri Lanka na quarta-feira passada.

Aos 23 minutos, e naquela que foi a primeira grande oportunidade de golo do encontro, Leong Ka Hang respondeu a um cruzamento de Kong Cheng Hou com um bom cabeceamento. O esférico falhou por pouco a baliza adversária.

A selecção do Brunei respondeu quatro minutos depois, ainda que com maior eficácia. Uma arrancada rápida de Shahrazen Said deixou o dianteiro do pequeno sultanato isolado frente a Ho Man Fai. No duelo com o guarda-redes do território, Said levou a melhor, inaugurando o marcador no estádio Sarawak.

A vencer, o Brunei quase duplicou a vantagem menos de dois minutos depois, com Bolkiah Faig a rematar sobre a barra da baliza de Macau após um bom cruzamento de Shahrazen Said.

O jovem extremo, que é nada mais nada menos de que sobrinho do actual Sultão do Brunei, voltou a dar nas vistas aos 37 minutos, ao percorrer sem oposição a ala esquerda e ao cruzar com peso, conta e medida para Azwan Ali. A jogada só não provocou estragos porque a defesa do território se mostrou suficientemente atenta para refrear o maior ascendente de que o Brunei gozava no desafio.

Sem grande capacidade ofensiva, Tam Iao San fez entrar Nicholas Torrão ao intervalo e o avançado do Benfica não demorou a dar nas vistas. Aos 55 minutos, Torrão é derrubado por Yussof fora da área do Brunei, mas o árbitro sul-coreano Kim Woo-sung entendeu que o dianteiro do território estava em boa posição para fazer golo e expulsou o guarda-redes do onze do sultanato.

O livre directo resultante do lance só foi cobrado quase quatro minutos depois, mas abriu as portas da final da Taça da Solidariedade a Macau. Chamado a cobrar o lance, Leong Ka Hang rematou rasteiro, a bola embateu no corpo de um adversário e traiu o guarda-redes substituto Tarmizi Johari na baliza do Brunei.

Mesmo a jogar em desvantagem numérica, o onze do sultanato da ilha do Bornéu continuou a criar boas oportunidades. Asnawi Syazni não conseguiu dar a melhor direcção a uma jogada conduzida por Shahrazen Said e a cinco minutos dos 90 regulamentares, Azwan Saleh rematou à barra da baliza de Ho Man Fai na cobrança de um livre directo.

O jogo seguiu para prolongamento e só nos últimos segundos se voltou a aplaudir uma nova oportunidade de golo, com Bolkiah Faig a assinar, numa erupção de genialidade, a melhor jogada de todo o encontro: o extremo do Leicester correu metade do campo com a bola nos pés e visou a baliza de Ho Man Fai, mas viu o ferro devolver-lhe o esférico.

A noite não era, no entanto, do Brunei. No desempate a partir da marca de grande penalidade, Ho fez história com as cores da selecção de Macau e catapultou a formação do Lótus para um dos mais importantes encontros da sua história. O Nepal é o adversário que se segue.

 

 

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